Som do PC: Ativando o plano C e pensando no plano B...

Desde o ano passado estou trabalhando no projeto de um amplificador para o meu PC. As novas caixas de som já estão prontas e nada do amplificador. O problema é que eu fiz umas contas e o amplificador valvulado que eu estava planejando montar consumiria quase 25W quando ligado, sem sinal, só pra esquentar as válvulas (1,5A por válvula de saída, mais 300mA por 12AX7 na fonte de 6,3V). Para um aparelho que ficará ligado o tempo todo em que o PC estiver ligado (isso quando não for esquecido ligado, algo que já acontece com o amplificador atual). Este desperdício de energia é inaceitável e pelo bem do meu bolso e para não esquentar o quartinho do Pakéquis Lab decidi pular para o plano C. O amplificador valvulado vai ser montado, provavelmente ano que vem, pois já comprei todos os componentes. Mas não será usado no PC.

O plano B, como já falei no primeiro post da série, seria usar um CI TDA qualquer. Tenho aqui nas gavetas vários TDA2002, TDA2030, TDA2050 e TDA2009. Destes eu ficaria entre os TDA2030 e o TDA2009 que numa olhada rápida nos datasheets parecem ter uma qualidade de áudio melhor. Mas notem que eu disse que pulei para o plano C. O plano B ainda está de prontidão, mas até o momento não estou muito certo se ele vai ser colocado em prática. Então vamos ao plano C.

O Plano C envolve montar um amplificador estranho e isso me veio a cabeça durante uma visita ao ferro velho. Num dia de sorte encontrei por lá uma caixa de componentes e dentro dela havia um saquinho com 150 peças do CI RC5532. Na hora me lembrei de um projeto publicado por aqui na revista Elektor em Março e Fevereiro de 2011. Era um amplificador de áudio projetado por Douglas Self que levava nada menos que 32 NE5532 na saída. As características pareciam muito boas e o requisito "estranheza" estava claro. Mas antes eu precisava conferir outra caraterística que gosto em circuitos estranhos: dar um nó na "cabeça" dos softwares de simulação.

O LTSpice  não conseguiu simular, mas o TINA-TI rodou normal:
Esquema do amplificador

A simulação é só do estágio de saída, que é o que vou aproveitar do circuito original. As etapas de ganho e a fonte eu vou fazer diferente. O circuito de servo DC não vou colocar, pois acho desnecessário. Também vou reduzir a quantidade de amplificadores operacionais. O original leva 64 amp ops (com 2 por CI), na simulação usei 48 e no circuito final serão 44 em cada saída.

Algo que estava me preocupando era o consumo de energia do circuito. O projeto da Elektor usa um transformador na fonte de 8A em 18V. Achei isso meio exagerado e resolvi testar. Montei os 22 CIs no protoboard com um CI extra na entrada com um ganho de 30x (29,5 dB). Claro que não funcionou de primeira. Com esse ganho e essa quantidade de CI´s o circuito vira um oscilador e não um amplificador. Mas nada que (muitos) capacitores na linha de alimentação e um de compensação (150pF) no estágio de ganho não resolveram. O circuito final montado ficou assim:
Amplificador montado no protoboard

O resistor de saída na foto ainda é um de 8R2 de 5W. Ele já foi trocado por um de 8R feito com um pedaço de fio de resistência de chuveiro. Com uma alimentação simétrica de 15V consegui a potência que eu havia planejado alcançar: 7W RMS. Para esta potência a tensão de saída necessária é de 7,5V RMS na saída do estágio de ganho. Usei o osciloscópio para medir a saída, mas ainda não medi a distorção. A corrente na linha de alimentação ficou perto de 800mA, o que dá um consumo de 24W. Uma eficiência próxima de 30%, 5% melhor que um amplificador classe A. Mas isso na potência máxima. Sem sinal na entrada o consumo fica em 180mA, o que dá 5,4 W. Cinco vezes menor do que o consumo em repouso do amplificador valvulado. Claro que um TDA da vida consumiria menos, mas não seria um circuito estranho.

Parece que temos um vencedor e muito provavelmente será este o meu amplificador para o PC. No momento estou pensando em como fazer a placa, o pré, a caixa e a fonte. Mas isso fica pra outro post.

Apanhando das placas universais para LCD

Segue o que descobri até agora brincando com duas placas universais para LCD:

Atualizado em 23/07/2014: Ver o item 12 com a foto da tela LCD de notebook convertida em monitor.
0. Até agora não consegui colocar as placas pra funcionar..  

0. Consegui colocar as placas pra funcionar.

Onde comprar (clique nos links): 

1. Comprei duas placas para testar com a tela de um LCD de notebook (um Acer Aspire 5251-1069). O notebook era do meu sobrinho e ainda funcionava mais ou menos e a tela estava em muito bom estado. Comprei uma placa MT6820-MD que prometia transformar a tela LCD em um monitor (com uma entrada VGA) de computador e uma T.VST29.03 que além de entrada VGA tem HDMI, Vídeo composto, USB e sintonizador de TV analógica.

2. Por que eu comprei duas placas se eu só tinha uma tela? Simples: Devido a demora nas compras lá fora é melhor prevenir e ter uma segunda opção caso uma das placas falhasse. Comprei de vendedores diferentes no AliExpress e esperei quase três meses. E uma placa extra seria útil caso outro display LCD aparecesse (e isso acabou acontecendo!).

3. Começando pela placa MT6820-MD, seguem duas fotos. A primeira é do lado dos componentes, com o CI HX6820. Existem duas barrinhas de jumpers na placa, uma para selecionar a tensão do painel LCD (3,3V, 5V e 12V) e a segunda para programar a resolução da tela. A tabela para esta última configuração está na parte de baixo (segunda foto).

Placa MT6820-MD Universal

Placa universal de LCD MT6820
4. A MT6820-MD veio com um cabo LVDS, um cabo com o DB15 da VGA, outro com o conector de alimentação (12V) e mais um com uma placa de teclado. Ligando apenas a alimentação a placa consome por volta de 500 mA. O LED na placa de teclado fica verde por um tempo e depois passa para vermelho. Acredito que vermelho indique que a placa está desligada.

5. Não veio manual ou qualquer outra informação sobre esta placa. Por causa disso só descobri que a placa não funcionaria com o meu LCD quando fui testar. O LCD do notebook Acer 5251 possui back light de LED e tanto o controle LVDS do display quanto o controle deste backlight é feito por um único conector (de 40 pinos). Sendo assim o cabo que recebi com a placa não serve para o display. Tive que comprar o cabo certo e agora só daqui uns dois meses pra testar.

6. Neste meio tempo (Domingo passado) o notebook do meu irmão deu problema e morreu (Acer Aspire MS2265). Ele retirou o que lhe interessava (HD, memória, etc) e o resto, incluindo a tela, ficou comigo. Finalmente uma tela LCD com display de lampada fluorescente! Desmontei a tela e vi que o conector era o mesmo do cabo que veio com a placa (30 pinos). Pluguei o LCD na placa e liguei os cabos, menos o do inverter da lâmpada que não veio (improvisei um). Ao ligar a alimentação não aconteceu nada... O LED acendia verde e depois de um tempo voltava pra vermelho.

7. Após medir aqui e ali, resolvi buscar o manual do display (um B156XW01). Olhando a pinagem do conector no manual verifiquei que o cabo que eu tinha não era compatível com o display (foto abaixo). Grande erro meu acreditar que todos os displays tinham a mesma pinagem (a placa até pode ser universal, mas os cabos... Pfff). Procurando nos sites da China encontrei kits com 10 ou 12 cabos diferentes para estas placas. Então, se você for comprar uma placa destas veja qual o cabo do LCD você tem que comprar.

Cabo LVDS para LCD de notebook

8. No momento estou esperando chegar o cabo para o LCD com LED. Até pensei e comecei a preparar um cabo pra ligar na placa, mas está devagar. O conector usado nestas placas é com passo de 2mm e não tenho um compatível por aqui. Teria que soldar direto na placa e poderia dar algum problema. Chegando o cabo testarei o LCD. Caso não funcione daí sim soldo o cabo "customizado".

9. Ainda não liguei a placa com TV. Ela não tem os jumpers para selecionar a resolução. Acredito que deva ser automático (lendo as informações do display). Os vendedores não falam nada sobre isso.

10. Seguem fotos da parte de cima e de baixo da placa T.VST29.03 (com o CI TSUMV59XU). A placa não veio com os cabos, mas veio com um controle remoto (com teclas em Chinês) e um receptor de IR. O esquema para ligar o receptor IR e o teclado está no manual da placa. Importante observar que existem versões diferentes desta placa a venda. A com o CI TSUMV59XU é a que toca arquivos pela USB (veja tabela no manual).
Placa universal de TV para LCD T.VST29.03 TSUMV59XU

Placa universal de TV

11. A placa tem um amplificador de áudio integrado (com o CI NS4263) com um conector para ligar os alto falantes. Ao retirar a tela de um notebook é bom aproveitar e retirar também os alto falantes e usar com a placa.

 12. Os cabos para o display LCD com back light de LED chegaram hoje (coincidência ou lei de Murphy?) e acabo de fazer um teste rápido. Funcionou de primeira com a placa MT6820-MD. A tela ficou com alguns ruidinhos, mas deve ser por causa dos cabos LVDS (o ruído aumenta ou diminui conforme se mexe no cabo). Vou investigar isso no fim de semana com calma. Também vou ligar a placa de TV e testar e fazer um novo post (talvez com vídeos!). Aguardem.


Som do PC: Trocando os Alto Falantes das caixas de som

Faz tempo que não atualizo o status do projeto do novo som do meu PC. A verdade é que eu acabei deixando o projeto de lado para fazer outras coisas. Mas neste fim de semana fiz a troca dos alto falantes das caixas de som (Makizou).

Os falantes originais eram falantes comuns de caixinhas de som de PC e bem fraquinhos (5W). A impedância deles também não me agradavam (4 Ohms) e fazia um tempinho que queria trocar por algo que aguentasse mais e com impedância mais alta (8 Ohms). Um deles já estava com um problema:
Alto falante 3 polegadas

O amassado no centro foi causado pela minha filha pequena e não afetava o som (ao menos eu não notei diferença) mas ficou um pouco feio. Procurando no Mercado Livre acabei comprando um par de alto falantes de home theater de 3 polegadas, 8 Ohms e 50 W de potência máxima (era o que dizia o anúncio, mas não pretendo ir tão longe). Abaixo dá pra ver a diferença entre os antigo e o novo:

Alto falantes 3 polegadas

O segundo parece maior, mas ambos são de 3 polegadas de diâmetro e a furação para fixação é a mesma. O novo falante é descrito como um "Mid-Bass" (médios-graves) e realmente notei uma melhora nos graves. Já nas frequências altas parece que melhorou, dá até pra desligar o equalizador do Winamp (resposta "flat"). O ideal seria comparar os dois alto falantes com o ARTA, mas isso vai ficar pra outra hora.
Alto falantes 3 polegadas

Outra coisa boa nos novos falantes é que a parte metálica também é pintada de preto, o que melhorou um pouco a aparência das caixas. Falta agora trocar os parafusos por parafusos pretos (ou pintar os que já estão ali):
Caixas de som Makizou

Em breve (espero) eu falarei mais sobre o novo amplificador que irá tocar as caixas.

Por dentro do monitor LG M237WA

Recentemente recebi duas placas universais de LCD e na hora de testar descobri que o cabo que veio com uma delas não serviria para o LCD que eu tinha (uma tela de notebook com backlight de LED). Como eu queria testar as placas o quanto antes tive a ideia (de mula) de testar no monitor do meu PC, que tem backlight de lampada. O monitor é um LG M237WA de 23 polegadas:

Monitor LG M237WA

Como o monitor teria que ser desmontado seria bom aproveitar o momento para consertar a tecla de "Power" que afundou. O monitor só era ligado pelo controle remoto.

Monitor LG M237WA teclas

Na foto abaixo dá pra ver o motivo d'eu ter escolhido este modelo: Ele tem duas entradas HDMI, uma VGA, uma DVI, Vídeo componente, vídeo composto e é uma TV (com um módulo externo modelo TN300). Hoje qualquer TV LCD tem isso ou até mais, mas na época que comprei (2010) não era tão comum ou era muito caro. Tem uma RS232 também, mas parece que é só pra manutenção.

Monitor LG M237WA traseira

Como todo aparelho fabricado ultimamente poucos parafusos e muitas "travinhas" plásticas para fechar a caixa. E é humanamente impossível desmontar sem quebrar ao menos uma das travinhas.

Monitor LG M237WA aberto

A placa do teclado, que fica na lateral:
Monitor LG M237WA placa do teclado
Não tenho fotos, mas todas as teclas de plástico que acionam estas chaves aí da foto ficam numa única peça e a tecla de Power acabou se soltando desta peça. Com um pouco de cola a tecla voltou a posição correta. A outra placa (abaixo) é a do sensor do controle remoto, que tem também o LED indicador On/Off e o conector para fones de ouvido:
Monitor LG M237WA placa do receptor IR

Retirei a tela LCD e a caixa com as placas do monitor do gabinete plástico para poder desmontar e chegar onde eu queria:
Monitor LG M237WA por dentro
Aqueles alto falantes são uma desgraça pelada pra colocar no lugar de novo. Me arrependo de ter retirado eles do gabinete. Mas continuando...

Dentro da caixa de metal estão as duas placas do aparelho: uma da fonte e outra a placa principal (já vi chamarem de "placa de sinal"):

Placas do Monitor LG M237WA

E agora o que me decepcionou: o inversor da lâmpada do LCD é montado na placa da fonte (olhe as setas vermelhas) o que jogou um balde de água fria na minha ideia de testar as placas universais com este monitor. Catar os sinais de liga/desliga e de brilho da lâmpada e, talvez, ter que modificar o circuito para ligar a plaquinha universal me pareceu um trabalho ingrato e se algo saísse errado eu poderia perder o monitor.

Placa da fonte do Monitor LG M237WA

 E vejam a fonte pelo lado dos componentes:
Placa da fonte do Monitor LG M237WA

Tirei uma foto da "placa de sinal" também, mas esqueci de anotar os códigos dos CIs.
Placa principal Monitor LG M237WA
Agora que vi, aquilo ali é o "foot print" de um conector SCART?

Concluindo: Levei um tempão desmontando o monitor com o máximo cuidado pra não estragar nada só pra descobrir que daria muito trabalho pra modificar só pra testar as placas universais. E depois ainda tive que remontar o monitor (afinal ele é o monitor do meu PC, não posso ficar sem ele). Acabei comprando os cabos certos para a tela LCD de notebook que tenho aqui. Só mais uns três meses pra testar...

Malditos alto falantes!!!!!

Medidor de distorção harmônica TR9602

Não vou falar que vou colocar um vídeo toda Segunda-Feira, mas acho que consigo manter esta agenda...

No mais, segue o vídeo de hoje onde eu falo do medidor de distorção harmônica TR9602 (o link leva pra um post com fotos e mais detalhes do aparelho).

Lâmpadas (Incandescentes, fluorescentes compactas e de LED) - Vlog #12

E vamos lá com mais um vídeo log. Desta vez eu faço alguns comentários sobre lâmpadas.


Algumas observações:
1. O componente que parece ser um fusível conectado ao soquete da lâmpada acabou sumindo na minha bancada. E eu nem notei enquanto filmava. Um dia ele reaparece...

2. Sobre o Sr. Shuji Nakamura, tem uma entrevista dele para o site Ciência Hoje em Português. Mas o melhor texto sobre ele é o que saiu na Electronic Design.

3. A parte sobre lâmpadas incandescentes era pra ter mais coisa, como as lâmpadas pequenas de 3~12V. Mas como eu gravei sem roteiro, esqueci desta parte. Era pra ter também uma demonstração de uma "lâmpada de grafite", mas a experiência não deu muito certo (a fonte de alimentação não aguentou). Fica pra próxima.

Relembrando meu caso com Arcades e Pinballs

Lendo o post do Tabajara sobre pinballs me vieram lembranças dos pinballs e arcades de um fliperama (o único) aqui da cidade. Ele ficava no calçadão da praça central até 1992 quando os casarões desta área foram demolidos e no lugar construíram uma fonte. O lugar exato está marcado com a seta vermelha na foto abaixo:
Local do fliperama
Então, a entrada era naquela porta, que raramente era aberta. Normalmente para entrar lá era preciso ir pela porta lateral que ficava dentro da lanchonete ao lado, que era onde se comprava as fichas para jogar. Ali dentro estavam alinhadas de um lado as máquinas de pinball e do outro os arcades (perto da porta da lanchonete).

Eu não costumava jogar nos pinballs, pois achava mais difícil e não via graça em ficar batendo naquela bolinha o tempo todo. Puxando da memória os pinballs eram todos da Taito e tinha uma Oba-Oba, uma Rally, uma Titan, uma Cavaleiro Negro e mais uma ou duas outras que não lembro quais eram. No lado dos Arcades, começando do lado da porta da lanchonete, havia uma Pole Position (aquela com banco e volante), seguida pela Kangaroo, uma Commando (que substituiu outra, mas não lembro qual máquina era antes), uma Moon Patrol, uma Columbia (ou Xevius, a única que eu jogava e motivo deste post), uma outra com submarino que não lembro o nome e mais uma que nem lembro como era, mas a tela era deitada e eu não alcançava pra ver.

Os anos em que mais frequentei (1991/92) foram os últimos do local e os pinballs em sua maioria ficavam desligados pois o pessoal preferia os arcades. Com a demolição das casas o destino das máquinas se perdeu na história.

Corta pra 2008 ou 2009 (não lembro, mas deve ter sido na mesma época que encontrei um arcade Knighmare no ferro velho) e alguém me conta uma história de que as máquinas (todas!) estavam guardadas desde aquela época nos galpões de uma antiga malharia aqui da cidade. Perguntando aqui e ali acabei descobrindo que um dos galpões pertencia a um amigo da minha irmã mais velha. E eu nem lembrava que ela morou lá perto por muito tempo. Conversei com minha irmã e ela conseguiu marcar uma visita ao galpão do cara. Isso foi em 2012 e fui lá num feriado de Novembro (acho).

Minha esperança era encontrar a Columbia e tentar levar pra casa, mesmo não tendo espaço. Sempre quis aquela máquina (não qualquer Columbia ou Xevius, tinha que ser aquela máquina que eu jogava quando moleque). Chegando ao galpão, que era menor que eu pensava, dei a volta inteira procurando algum sinal e nada: Nenhuma máquina de fliperama ali. A visita não foi tão decepcionante assim (veja o final do post), mas confesso que esperava encontrar todas as máquinas lá dentro. Hoje penso o que eu iria fazer se encontrasse todas e conseguisse, de alguma forma, ficar com elas. Onde ia enfiar tanta tranqueira?

Passado mais algum tempo minha irmã me conta que outro galpão por ali deveria ser o que eu procurava e que ela conhecia a dona. Pedi pra ela perguntar sobre as máquinas. A resposta não foi nada agradável e eu já deveria ter pensado nesta possibilidade. No caso, nesta possibilidade aqui ó:

Enchente 2000

Esta foi a enchente de 2000, que cobriu mais da metade da cidade, incluindo os galpões onde estariam as máquinas. Se elas estivessem lá provavelmente foram destruídas pela enchente e tudo foi jogado fora depois que as águas baixaram. E quem estava aqui (como eu) lembra da quantidade de coisa destruída que foi pro lixo por causa da enchente. Foram semanas pra limpar tudo. Até que alguém diga o contrário parece que este foi o destino das máquinas. Uma pena...

Mas então, para o post não ficar só nesta história que não deu em nada seguem as fotos do galpão/garagem do amigo da minha irmã. Ele tem uma oficina de eletrônica lá, onde antes era uma fábrica de panelas elétricas (esta fábrica agora fica em outro local e fabrica tablets e parece que vai muito bem).

Oficina eletrônica

Oficina eletrônica

Oficina eletrônica

Oficina eletrônica

Oficina eletrônica

Gaveteiro de resistores

Componentes eletrônicos

Placas de lampadas de LED

Oficina eletrônica

Como calcular dissipadores de calor (Vlog #11)

Pois é pessoal, esse vlog só demorou seis meses pra sair...



Algumas explicações:
1. Os cálculos foram feitos para o CI trabalhando em regime DC e sem fluxo de ar (vento) sobre o dispositivo. Com um fluxo de ar as coisas mudam e o dispositivo esquenta menos, é claro. No caso de um transistor com PWM também muda.

2. O manual dos dissipadores é da HS Dissipadores (clique no link pra ver o manual).

3. A fórmula principal é: Tf = Ta + (PD x Rθ) onde: Tf = Temperatura final; Ta = Temperatura Ambiente; PD = potência dissipada no dispositivo; Rθ = Resistência térmica total da junção até o ar (para o caso do dispositivo sem dissipador usar Rθ = Rθja - Rθjc, com dissipador Rθ = Rθjc + Rθdissipador).

4. Acho que não ficou muito claro no vídeo, então lá vai:

PARA CALCULAR UM DISSIPADOR DE CALOR:

Rθdissipador = ((Tf - Ta) / PD) - Rθjc

Onde:
Tf = Temperatura final que se espera no case (encapsulamento) do dispositivo (CI, Transistor, etc). Tem que ficar abaixo da temperatura máxima especificada no manual do componente.
Ta = Temperatura ambiente onde o componente irá funcionar.
PD = Potência total dissipada sobre o componente
Rθjc = Resistência térmica da junção ao case (dado do data sheet do componente)
Rθdissipador = Resistência térmica do dissipador. De posse deste valor é só usar um dissipador com esta resistência ou menor.

5 - As resistências térmicas de componentes são mais ou menos padronizadas de acordo com o encapsulamento (TO220, TO3, TO3P).

A fonte Argentina

Comprei uma fonte de alimentação no ferro velho (ou "reciclagem" com dizem atualmente) para reaproveitar o transformador. O critério que uso para comprar fontes lineares é por peso, quanto mais pesada melhor (trafo de maior potência). Esta aqui parecia ter mais de 1kg o que significa um transformador de mais de 50W ("rule of thumb", não sei uma expressão equivalente em Português).

Como sempre acontece nos ferros velhos a primeira coisa que eles tiram dos aparelhos são os cabos externos que são cortados no alicate o mais rente possível da caixa:
Parte frontal da fonte

Parte traseira da fonte
Pela lateral dava pra ver o transformador e alguns dissipadores. E dissipadores em uma fonte normalmente é um sinal de que a fonte é regulada. E fontes reguladas usam transistores de potência, que podem ser reaproveitados em outros projetos.
Lateral da fonte

Por dentro a fonte é bem compacta, aproveitando ao máximo a caixa de ferro:
Vista interna da fonte

A primeira impressão foi muito boa, além do transformador e capacitores eletrolíticos eu levei 3 transistores de potência pra casa, com os dissipadores. Mas como alegria de pobre dura pouco olhei com mais atenção e...
Transistores da fonte
Parece que encontrei o motivo da fonte ter sido jogada fora. Retirando o transformador para olhar melhor a coisa só piorava:
Placa da fonte

Retirei a placa da caixa e o estrago parecia bem grande:
Placa da fonte

Placa da fonte
Aquele componente no dissipador em cima ao centro, logo abaixo dos eletrolíticos é um LM317. Não dava pra ver pois ele estava embaixo do transformador. Medi os transistores e estavam em curto em todos os pinos. Retirei os três e o LM317 da placa na esperança de que ao menos um estivesse bom, mas todos tinham ido pro saco. Alguns diodos também não estavam bons e os eletrolíticos da área afetada estavam com a capa plástica com sinais de derretimento.

Olhando mais de perto dá pra ver um sinal do que pode ter acontecido:
Curto circuito na fonte

O cobre da placa sumiu naquele ponto, que fica bem embaixo do porta fusível. Talvez um curto de um dos pinos do porta fusível com a placa tenha jogado a tensão da rede diretamente ali, no terra da fonte. A coisa foi feia mesmo...

Pelo menos o transformador está bom (já testei) e é um trafo de 18+18V com corrente em uns 5A (chute meu). Olhando as marcações da fonte encontrei as seguintes informações:
Fabricante da fonte

Procurei na web sobre esta tal de "rialcom" e não encontrei nada. procurando pelos modelos MIX62 e MIX100 e a palavra "Argentina" (onde a fonte foi fabricada) cheguei na Trialcom (nunca use a primeira letra do seu nome no logo), fabricante de mesas de som (consoles) para estúdios de rádio. Dando uma pesquisada no site do fabricante descobri que esta fonte é justamente a fonte de alimentação destes consoles. Isso explica as duas saídas de alimentação simétrica (provavelmente de +15V e -15V para os amplificadores operacionais do mixer) e a saída de 48V ("Phantom Power" para microfones de estúdio).

Por dentro de um repelente de insetos elétrico

Minha esposa comprou este aparelho recentemente e não gostou muito dos resultados (aparelho ligado e mosquitos voando ao mesmo tempo). Como ele nunca mais seria usado e provavelmente seria esquecido no armário resolvi satisfazer minha curiosidade sobre o funcionamento.

O aparelho é este aqui (não lembro a marca e modelo):
Repelente elétrico

Ele funciona em 127 ou 220 VAC "automático". A parte de baixo é o refil com o líquido repelente e não interessa muito para nós aqui do blog (eu e meus 2 leitores) então fui direto na parte de cima:

Repelente elétrico
O refil tem um bastão que vai encaixado naquele buraco no centro. O bastão esquenta e evapora o liquido repelente. Esta parte aí é muito resistente e só abriu quebrando o plástico. E dentro tem o seguinte circuito:

Repelente elétrico

O esquema dele é bem simples:
Esquema repelente elétrico

A lâmpada Neon serve apenas para indicar que o aparelho está ligado. O fusível térmico está ali para o caso de as coisas ficarem muito quente lá dentro. Aquela peça preta com o furo onde vai encaixado o refil é um resistor de 4k7 Ohms que esquenta uma placa metálica. Desmontar isso daí deu trabalho, mas consegui:

Repelente elétrico

A resistência é aquele bloquinhos cinza na parte de baixo. O anel metálico esquenta, esquentando o bastão do refil. Funcionamento bem simples, pena que os mosquitos nem ligaram muito para o aparelho...