Para todos que trabalham ou brincam com eletrônica é inegável a contribuição das revistas em sua formação. Acredito que mais de 90% dos visitantes deste blog certamente leram ao menos uma revista de eletrônica na vida. Falo isso por experiência própria e por conhecer várias pessoas que trabalham na área. Dos mais antigos que liam a “Eletrônica Popular” até os mais novos, leitores da “Saber Eletrônica”.
Lançada em 1926 (Abril - ?) a revista Antenna é a mais antiga revista de eletrônica do Brasil. Não sei se foi cancelada, no site oficial consta que o último número publicado foi a edição 1206 do ano de 2007. Também segundo o site as assinaturas estão suspensas temporariamente.
Meu primeiro contato com ela foi por meio de uma edição da década de 70. Depois li muitas edições na biblioteca do curso técnico (edições de 1956 até a década de 90). Curiosamente comprei apenas uma edição nova em banca cuja capa era sobre a montagem de um caleidoscópio eletrônico (199?).
Eletrônica Popular - Antenna Edições Técnicas (Maio de 1956 a Dezembro de 1982 - 460 edições, 53 Volumes)
Publicada no Brasil a partir de 1956, Eletrônica Popular era a versão brasileira da “Popular Electronics”. Isso até 1967 quando acabou o contrato com a editora americana Ziff-Davis. Caso o contrato tivesse sido renovado por mais uma década quem sabe não haveria uma capa com o Altair 8800 por aqui também. Depois disso a revista seguiu outros rumos, tendendo - como sua irmã mais velha - para os lados do radioamadorismo.
A numeração da revista é meio confusa assim como a numeração das paginas. A quantidade de edições por volume varia de 3 a 6 edições. Isso vale também para a Antenna.

Be-a-bá da Eletrônica – Editora Bártollo Fitippaldi (32 Edições ? – Dezembro de 1982 [?] a Julho de 1985 [?])Revista publicada em forma de curso, cada edição era uma “aula”, com um introdução teórica seguida por montagens ligadas ao assunto da edição. Inicialmente publicada em formatinho (14 x 21 cm) ela passou a formato magazine (21 x 27 cm) na 25a edição. Também foi ai que pararam de colocar as placas de circuito impresso grátis. Uma pena, pois as placas eram uma mão na roda para quem não tinha condições de fazer em casa.
O grande diferencial da revista foi a forma fácil e simples de ensinar eletrônica. Era possível aprender sem problemas apenas seguindo a revista. Claro que isso era por mérito do grande “professor” Bêda Marques (diretor técnico). Infelizmente ele deixou a revista na edição 30. Os novos produtores técnicos mudaram a cara da revista e esta só conseguiu sobreviver por mais duas (tenho o número 32) ou três (nunca vi a 33, mas é citada na 32) edições.

Divirta-se com a eletrônica – Editora Bártollo Fitippaldi (52 Edições [?] – Abril de 1981 [?] a Julho de 1985 [?])Irmã mais velha da Bê-a-bá que publicava apenas artigos práticos, sob a direção de Bêda Marques. Também trazia uma placa de circuito impresso grátis em cada edição e era publicada em formatinho (não sei se teve uma edição em formato maior posteriormente). O número mais alto que já vi foi o 43 e pode ter chegado ao 52.
No geral as montagens eram simples e de fácil montagem, raramente passando de 3 circuitos integrados.

Informática Eletrônica digital – Editora Bartollo Fitippaldi (24 Edições – Agosto de 1983 [?] a Julho de 1985)Revista focada em eletrônica digital e informática. Não sei muito a respeito, pois só a vi em propagandas nas outras revistas da editora e em sites, não tive oportunidade de ler. Como era prática comum da editora trazia uma placa de circuito impresso grátis a cada edição. Não sei se também era dirigida pelo Bêda Marques.
Revista que publicava apenas montagens práticas. Foi a volta de Bêda Marques as publicações técnicas. Algumas edições vinham com placas de circuito impresso e todos os projetos estavam disponíveis em forma de kit. Que eu saiba foi a única revista de eletrônica brasileira a fazer isso.
Comprei muitas destas em banca e montei algumas das placas que vinham grátis. Confesso que achava graça daquelas histórias em quadrinhos com os componentes. A página com as informações sobre componentes quebrava um galhão na época pré-internet.
ABC da Eletrônica – Kaprom Editora (19 ediçoes [?] – 1991 a 199?)Uma tentativa de reviver a antiga Bê-a-bá. Também dirigida por Bêda Marques e seguindo a mesma linha editorial. Mais uma revista que só conheci bem depois de lançada.
Revista Monitor de Rádio e TV – Instituto Monitor (429 Ediçoes – Outubro de 1947 a [?] de 1982)
Excelente revista que teve sua melhor fase nas décadas de 60 e 70, quando republicava artigos da Rádio-Electronics. As montagens geralmente eram de nível mais profissional com grande quantidade de ilustrações. Possuía também a seção “bancada de serviço” com dicas muito boas (e as vezes nada convencionais).Eléctron – Editora Fitippaldi (67 Edições [?] – 199?)
Electron – Editora Etegil ( 4 Volumes [?] - Edições [?] – 1965 a 1967 [?])
Pesquisando para este post descobri esta outra Electron publicada na década de 60. Infelizmente não consegui mais informações, não deve ter durado muito.
Rádio-TV Técnico – Editora Signo (58 Edições – 196? A 197?)
Radiotécnica – Américo Ietto (Editor) – (174 [?] edições – Janeiro de 1946 A 196?)
E mais uma desconhecida. Encontrei pouca informação sobre ela.
Nova Eletrônica – Editele: Editora Técnica e Eletrônica – (114 edições [?] – Fevereiro de 1977 a [?] de 198?)
Uma das melhores revistas que já apareceram no Brasil. Era a versão brasileira da “Nuova Eletronica”. Acredito que tenha sido a primeira a publicar o projeto de um computador Z80 por aqui. Eu apenas sonhava em montar um daqueles (Nestor, Ciclop, etc...).

Elektor (Primeira Série) – Editora ? (81 edições [?] – 1986 a 199?)A melhor revista do mundo teve a sua primeira versão brasileira no fim da década de 80 até inicio dos anos 90. Era basicamente uma tradução direta da versão original. Como vivíamos na época da reserva de mercado alguns projetos eram impossíveis de se montar por falta de componentes.
Elektor (Segunda Série) – Editora Ferreira e Bento do Brasil (Iniciada em 2001 e publicada até hoje)
A segunda série da Elektor veio para o Brasil através de seus editores Portugueses. Como na série anterior ela é uma tradução direta dos artigos publicados na Holanda. Existe uma defasagem de alguns meses entre a versão Holandesa e a Brasileira. Atualmente está muito mais fácil para quem deseja montar algum projeto das revistas. Os componentes mais difíceis e placas podem ser encomendados diretamente com os editores.
Revista Eletrônica e Saber Eletrônica – Editora [?] e Editora Saber
Talvez a mais conhecida de todas, a Saber Eletrônica é publicada até hoje. Tive alguns problemas em conseguir informações sobre o inicio da publicação. O que desconfio que tenha acontecido é que a revista era publicada por outra editora sob o nome de Revista Eletrônica (em 1965) e depois passou para a editora Saber com o mesmo nome até por volta do numero 150 (198?). Depois disso ela se tornou a Saber Eletrônica que conhecemos.
Aqui em casa tinha uma “Revista Eletrônica” da década de 70 que lembra um pouco a “Revista Eletrônica” da Saber. Antes do curso técnico eu comprava a Saber nas bancas e por fim acabei assinando por 2 anos (1994-95). Atualmente a revista se tornou mais teórica e profissional. Gostava mais da versão antiga...
Um nome enorme para uma revista em formatinho. Tratava de noções básicas de eletrônica e publicava projetos para iniciantes e hobbystas. Só tive oportunidade de ler umas 4 ou 5 edições.
Eletrônica Total – Editora Saber (1988 até hoje)
A irmã mais nova da Saber Eletrônica era inicialmente dedicada aos projetos mais simples para os hobbystas. Tinha uma seção muito boa sobre Dexismo. Hoje ela parece ocupar o lugar da Saber Eletrônica e teve sua periodicidade reduzida.

Update 27/06/2009: Eduardo Dantas mandou mais informações e scans de capas. Destas, três eu não conhecia (Os comentários são do Eduardo):
Lançamento: 1981
Editora: Teleart Telefones Artísticos Ltda.
Formato: 18x26cm
Comentário: A primeira edição trazia cinco projetos. Isso da página 2 até a 12. Da página 13 até a 64 era um catálogo de componentes.
Eletrônica avançada
Lançamento: final da década de 1990
Editora: Escala
Formato: 20,5x27,5cm
Comentário: revista de vida efêmera, talvez não tenha passado do n. 1, a julgar pelo pouco que se encontra sobre ela na internet.
Atualizado em 26/08/2013: Agora a segunda parte:



















