DEMOACKIT da Freescale: Brinquedinho novo para o blog

Bom, comprei este kit semana passada exclusivamente para testar algumas idéias e projetos pessoais e para o blog. Encontrei ele por acaso na Farnell e aproveitei a oportunidade. Acreditem, desde antes do blog nascer eu já tinha alguns projetos exclusivos pra ele. Este kit então é uma tentativa de mostrar alguma coisa mais útil do que as entranhas de aparelhos antigos (se bem que vou continuar fazendo isso também).

Como o DEMOACKIT chegou

DEMOACKIT

DEMOACKIT

Infelizmente (ou não) tive que trabalhar em outras coisas neste fim de semana e não deu pra fuçar muito no kit ainda. Testei apenas uma piscada de LED’s e já me deparei com o problema do CodeWarrior 6.3 dando nó com a pobre plaquinha. Mas falo disso durante a semana ou Domingo que vem.

O falso Pen drive Kingston de 64 GB

Eu já ouvi várias histórias de pen drives falsificados. No caso dos modelos Kingston de 8 GB (retrátil, caixa preta) vários colegas caíram no golpe em 2008. Normalmente são aparelhos que realmente parecem funcionar e indicar a capacidade correta. Mas existem casos mais bizarros como aquele do pen drive que era só um cabo USB numa caixinha (história esta que ninguém sabe se é verdadeira).

O falso Pen drive Kingston de 64 GB

Esta semana meu irmão foi consertar um computador de uma cliente e esta pediu pra ele dar uma olhada num pen drive que havia comprado num camelô de SP. O aparelho não dava sinal de vida quando ligado na porta USB. Nem um LED aceso. Ele acabou abrindo o pen drive e se deparou com isto:

O falso Pen drive Kingston de 64 GB

O falso Pen drive Kingston de 64 GB
A placa não possui nenhum componente montado! Olhando no site da Kingston o aparelho corresponderia ao DataTraveler 101 que vai no máximo a 16 GB. Como foi comprado na rua e com garantia zero não havia como reclamar. Meu irmão trouxe o bichinho para que eu pudesse ver e postar aqui. Fica então o alerta pra quem se deparar com uma “oferta” tentadora destas por aí.

Por dentro de um KVM automático de 4 portas da Dipo

O Macagnan comentou no post sobre o chaveador de portas paralelas e eu prometi umas fotos do KVM (Keyboard, Vídeo and Mouse switch) que meu irmão usa. O Luciano também comentou por lá falando sobre o KVM que ele montou a partir de um chaveador paralelo. Realmente é possível fazer isso, mas dependendo da configuração e placas o micro pode reclamar ou não dar boot caso não receba os dados certos do teclado e monitor. No caso citado pelo Luciano acredito que a chave deva ser colocada na posição pra um PC até que este execute o boot e inicialize o SO e só depois possa ser chaveado para o outro PC.

KVM
Este aqui meu irmão comprou na China e veio com os quatro cabos completos (1.5m cada). Ele não vem com a fonte de alimentação (9VDC) e na caixa diz que ela é opcional (embora ele não funcione sem ela). A troca dos PC’s é feita pelo botão central e a sinalização do PC ativo é feita pelos LED’s correspondentes a cada porta. Os quatro PC’s podem ser ligados ao mesmo tempo e o KVM dá conta de enviar os dados de teclado, mouse e monitor para que eles possam inicializar tudo corretamente. Além da chave de seleção dá pra trocar de PC usando combinações de teclas. Meu irmão tentou configurar isso mas até agora não conseguiu (O manual do aparelho veio em Chinês e a página do produto não é lá muito útil).

KVM

Desmontei o aparelho e tirei a foto prometida:
KVM

A placa não é tão complexa quanto parece, os CI’s em SMD são todos buffers HC244 e portas lógicas HCXX. O CI grande no soquete de 28 pinos é um microcontrolador OTP EM78P447 da Elan.

Que aparelho é este?

OBS: O post já estava pronto e enquanto estava postando resolvi dar uma olhada no aparelho e descobri um detalhe que deixei passar. Acrescentei essa descoberta como um update no texto, lá no fim. Publico o texto original como um registro da minha falta de atenção.

Comprei uma caixa de displays velhos (preciso parar de juntar coisas velhas, eu sei) e veio o seguinte aparelho:
Kodak Ektapro 1000TR Controller

A parte de baixo é assim:

Kodak Ektapro 1000TR Controller

Como se vê nas fotos não há indicação do modelo ou algo que leve a uma identificação precisa do que seja o aparelho. A principio parece um tipo de controle para um gravador, por causa das teclas “Record”, “Pause” e “Play”. Na lateral superior direita há um conector RJ11 que é a única aparente conexão externa disponível.

Neste ponto minha única certeza era de que era um dispositivo fabricado pela Kodak e a desconfiança de que teria relação com algum gravador. Se era de vídeo, áudio ou outro tipo de gravador ainda não sabia e seria necessário olhar dentro do brinquedinho.

Quatro parafusos de fenda fecham a caixa e, ao serem retirados, me deparei com a placa principal do dispositivo:

Kodak Ektapro 1000TR Controller
O projeto mecânico é muito bom indicando algo de aplicação profissional. A placa é presa por quatro furos que passam pelos quatro espaçadores para os parafusos que fecham a caixa. Fora os espaçadores a placa fica presa ao display por um conector de encaixe de 10 pinos. Desconectando a placa vemos o display, que também é preso pelos espaçadores, e a placa do teclado frontal. Desatarraxando os espaçadores o display pode ser retirado totalmente da placa.

Kodak Ektapro 1000TR Controller

Olhando mais de perto vi que o display é um Hitachi LM200 (gráfico, 64 x 240 pixels) e usa controladores HD44104. Pesquisando no São Google o melhor que encontrei foi a pinagem do display num site em Alemão. Se ele estivesse funcionando já justificaria a compra da caixa de velharias.

Deixando o display de lado, a placa controladora do aparelho me pareceu de projeto bem comum: um microcontrolador (6809 da AMI), uma EPROM de 16kB (27128), memória RAM (D4364, 8kB) e CI’s 74HC para expansões de portais. A única coisa um pouco diferente é a presença de um controlador HD61830A00 com sua memória RAM para o display gráfico.

Kodak Ektapro 1000TR Controller

Procurando por mais informações sobre a função ou modelo do aparelho encontrei apenas as identificações: “PWB User Interface” escrito na placa do teclado e “Assy. Keypad 05900005-001 Rev X3” na placa principal. Uma busca por estes termos não rendeu muita coisa e continuei sem saber que aparelho era aquele.

Sem muitas opções resolvi apelar para uma técnica de engenharia reversa que já me ajudou em outras ocasiões: Ler a EPROM e catar alguma string no arquivo que poderia ser útil. Futucando o binário encontrei apenas algumas strings, provavelmente de menus do display:

Kodak Ektapro 1000TR Controller

Não foi nada muito útil, mas as strings “PAL” e “NTSC” me levaram a crer que seria mesmo o controlador de um gravador de vídeo. Minha ultima chance seria ligar o aparelho numa fonte externa e ver se havia alguma coisa pra descobrir com o display funcionando. Após algumas medidas de continuidade, uma retirada do transistor regulador de tensão (que pensei ser um regulador integrado) e uns fios gambiarrados na placa consegui ligar o aparelho. O resultado desanimador foi este:

Kodak Ektapro 1000TR Controller

O aparelho "funcionou" e ficou apitando e indicando a mensagem "ERROR 04". Qualquer tecla que fosse pressionada não acontece nada.
Pois é, esta deve ser a primeira vez que eu não consegui identificar um aparelho com exatidão. Tenho algumas boas pistas do que seja, mas não cheguei ao modelo que facilitaria muito a busca de mais informações. Como último recurso coloquei aqui pra ver se alguém sabe do que se trata e comenta ai embaixo. Agradeço antecipadamente qualquer informação útil.

UPDATE: Pois é, deixei passar a inscrição "Kodak Spin Physics" na placa principal. Usando estes termos na busca do google o terceiro link me levou a uma página com mais detalhes do sistema Kodak Ektapro 1000TR. Trata-se então de um gravador de video de alta velocidade. Curiosamente o cara da página comprou um sistema destes sem o controlador. Ele deu um jeito de controlar o gravador construindo um novo controlador externo! Vale a pena uma olhada no site.

Testando a refrigeração do gabinete R460 da 3R System

Pois é, meu PC novo que estava montado em cima da mesa agora está em seu local definitivo. O motivo de montar daquele jeito foi para aproveitar o fim de semana (que é quando tenho mais tempo livre) pra instalar e testar tudo com calma. Esse PC foi comprado em quatro lojas diferentes: Gabinete, Monitor, acessórios e a parte de dentro. O Gabinete foi a primeira coisa que comprei e o primeiro que foi enviado. Só que foi o último a chegar! Daí deu naquilo...

A principio não havia muita necessidade de trocar o PC, o antigo dava pra trabalhar tranqüilo ainda (Pentium 4 – 3GHz). O problema era com os jogos. Tá certo que eu não jogo tanto quanto antigamente, mas estava ficando chato reduzir a qualidade dos gráficos para tentar jogar uns jogos mais recentes (de 3-4 anos atrás). Joguei todo o Command & Conquer 3 esguelando minha FX5200, mesmo com a qualidade dos gráficos colocada no nível “Sofrível”. Mesmo assim eu esperava trocar de máquina apenas quando a Blizzard lançasse “Diablo 3”. Como a Blizzard é a Blizzard o jogo só será lançado quando estiver pronto e nesse tempo eu ainda não havia jogado “Red Alert 3” e a EA já ia lançar “Command & Conquer 4”. Jogo C&C desde o demo da primeira edição (1996-97) e não queria quebrar a tradição.

Decidido então pela troca (isso foi no fim do ano passado) passei a escolha da configuração. Isso levou um tempo considerável enquanto eu lia fóruns e checava os preços nas lojas online. Minha maior desconfiança era quanto ao aquecimento da máquina. O Pentiun IV aquecia consideravelmente já que dentro do gabinete só tinha a ventoinha do processador, nem a placa de vídeo tinha um cooler. Em dias muito quentes chegava a travar tudo. Com o PC novo eu não queria correr esse risco e como esta seria uma máquina com uma performance um pouco superior o aquecimento poderia ser um problema. Escolhi o gabinete com a maior quantidade de fans que encontrei. Curiosamente, um dia após ter comprado o gabinete o Clube do Hardware fez um review do gabinete dando seu selo de aprovação. Fiquei um pouco mais aliviado mas ainda curioso em saber se a coisa não ia ficar quente.

Gabinete R460 da 3R System

Então (pra não esticar muito a conversa, já que escrevi três parágrafos e ainda não entrei no assunto do post) depois de terminar de montar fiz algumas medidas de temperatura dentro do gabinete. Pensei em usar um software para monitorar as temperaturas mas acabei usando um alicate amperométrico (Toyo TY9900T) com medidor de temperatura. O termopar foi colocado em contato com os dissipadores da placa de vídeo e do processador. Era pra ter feito medidas no HD e na fonte, mas o HD fica com uma ventoinha “na cara” o tempo todo e, no teste do dedão, a temperatura dos dois não ficou tão alta.

Gabinete R460 da 3R System

A configuração do PC é esta:
Processador: Intel Core i5 750 (2.66GHz);
Motherboard: Asus P7P55D Pro;
Placa de Vídeo: XFX GTS250 (1GB de RAM);
Memória: 2x2GB Corsair DDR3 1333MHz;
Fonte: Corsair CMPSU-550VX 550W (exagerado, mas consegui um bom preço e é melhor sobrar do que faltar);

A máquina está configurada para resolução de 1920 x 1080 com Windows 7 Pro 64 bits. As temperaturas foram medidas com o computador sem uso (Idle) por um tempo e depois rodando o jogo “Need for Speed Undercover” (foi a coisa mais pesada que eu consegui) com tudo no máximo, AA em 6x e em Full-HD.

Pra quem não conhece o R460, clique aqui e veja os detalhes no site da 3R System. É um gabinete comum com um exaustor com duas fans em cima. Existe ainda uma ventoinha na parte de baixo perto das baias para HD’s e uma pequena no fundo em cima. Essa última eu não liguei por achar que não faz diferença. A fonte é montada no “chão” do gabinete numa solução de refrigeração diferente do que estamos acostumados. Vejam as fotos no site oficial para entender melhor.

O PC está com os coolers de fábrica no processador (Box) e na placa de vídeo com suas velocidades controladas pelos drivers das placas. O gabinete possui uma chave de três posições para controle dos exaustores na parte de cima. Com ela podemos colocar as ventoinhas em velocidade máxima (High), baixa (Low – jogando alimentação direta do 5V) e desligadas. Fiz os testes com as três velocidades. Os resultados foram os seguintes:

Temperatura ambiente: 28ºC;

---> Placa de vídeo: <---
Com os exaustores desligados:
PC Parado (Idle): 50ºC
Rodando NFS Undercover: 60ºC

Com os exaustores em baixa velocidade (Low):
PC parado (Idle): 47ºC
Rodando NFS Undercover: 52ºC

Com os exaustores em velocidade máxima (High):
PC parado (Idle): 44ºC
Rodando NFS Undercover: 49ºC

---> Processador: <---
Com os exaustores desligados:
PC Parado (Idle): 55ºC
Rodando NFS Undercover: 75ºC (parei os testes antes que subisse mais)

Com os exaustores em baixa velocidade (Low):
PC parado (Idle): 43ºC
Rodando NFS Undercover: 50ºC

Com os exaustores em velocidade máxima (High):
PC parado (Idle): 41ºC
Rodando NFS Undercover: 49ºC

Não houve muitas surpresas nestes testes. A única coisa que me preocupou foi a temperatura do processador com as fans desligadas. Parei o teste quando o dissipador passou de 75ºC (temperatura alta para um dissipador), ligando os exaustores em velocidade baixa (Low). A temperatura baixou rapidamente, caindo 25ºC em menos de um minuto. Curioso que a diferença de temperatura com as ventoinhas em alta ou baixa velocidade pode ser desconsiderada para o processador. Depois disso só uso o PC com a chave do gabinete em Low (menor ruído e quase o mesmo efeito). A placa de vídeo, que era minha maior preocupação, se comportou muito bem. A temperatura não ficou tão alta como imaginava.

Bom, os resultados dos testes estão aí e espero que sejam úteis para quem tem ou está pensando em adquirir este modelo de gabinete.

Por dentro de um chaveador de portas paralelas

Comprei esse chaveador de paralelas no ferro-velho pra usar a caixa num amplificador de áudio que pretendo montar. Aproveitei pra tirar umas fotos internas pra postar aqui, enquanto inspecionava a caixa pra ver se caberia um amplizinho. No século passado esses aparelhos eram comuns mas acabaram desaparecendo com o surgimento do padrão USB.

Chaveador de portas paralelas

Por volta de 1998/99 eu fazia uma ponte ligando a paralela do PC no Zip Drive que ligava no scanner que finalmente ligava na impressora (uma citzen Printiva 700, com cartuchos de sublimação de cera impossíveis de encontrar, outra tecnologia que não vingou). Quando precisava ligar uma interface paralela cheia de CI’s TTL’s ou o gravador de 8051 tinha que tirar todo mundo da porta, já que não funcionavam com os outros aparelhos ligados. Um chaveador destes seria uma ajuda extra naqueles tempos.

Chaveador de portas paralelas

Eu pensava que o circuito interno seria de uma complexidade digna do que cobravam pelo aparelho. Ainda mais neste de quatro portas. Finalmente ao abrir o chaveador para ver o que tem dentro descobri que não poderia ser mais simples: Uma chave e fios, muitos fios. Fiquei até com pena do montador do chaveador soldando fio o dia todo.

Chaveador de portas paralelas

Depois de aberto também descobri o provável motivo do chaveador ter sido mandado pro ferro-velho. Como pode ser visto na foto abaixo uma das pastilhas da chave seletora quebrou, inutilizando uma das portas.
Chaveador de portas paralelas

PC novo...

Pois é, troquei de PC. Assim que eu tiver um tempo (e paciência) conto toda a novela que foi colocar ele pra funcionar ao mesmo tempo em que tentava cumprir alguns prazos de projetos estourando por aqui. No fim de semana tive que trabalhar com o PC neste estado (Agora tá um pouco melhor, mas ainda não acabou.):
PC novo

Sobre Microtransmissores de FM

Estava fuçando na minha estante de revistas antigas e me deparei com um editorial da revista Antenna, Volume 91 No. 5 de Setembro/Outubro de 1984. Neste editorial o grande Gilberto Afonso Penna (o Junior) fala sobre uma norma federal baixada em 1983 restringindo o uso de equipamentos “de radiação restrita” (minitransmissores). Segundo o editorial o DENTEL pediu a várias editoras técnicas e aos fabricantes de kits para que parassem com a divulgação e a comercialização dos aparelhinhos.

Transmissor de FM Scorpion
O editor informa que a revista Antenna, seguindo o pedido do DENTEL, havia cessado a publicação de artigos sobre o tema e lamenta que as outras editoras não tenham feito o mesmo. E nunca fizeram: kits de microtransmissores de FM podem ser encontrados a venda até hoje e a revista de eletrônica (só sobrou uma) continua a publicar o mesmo circuito ano após ano.

Placa do transmissor de FM Scorpion
E este editorial da Antenna me fez lembrar que eu tenho guardado dois destes transmissorzinhos. Um deles (das fotos acima) é o famoso Scorpion fabricado pela Superkit e o outro foi montado por uma colega no tempo que eu fazia curso técnico (1992-95) baseado em alguma revista. Eu ganhei os dois junto com um lote de velhos componentes e outras tranqueiras que a dona nunca mais iria usar.

Microtransmissor de FM
A versão “não comercial” mostrada acima foi feita num pedaço de circuito impresso desenhado com caneta para retroprojetor e fita adesiva (Durex). O mais legal é que a dona do transmissor assinou a “obra” no lado da solda:

Placa microtransmissor FM
Sim! Ela mesma, vocês podem não acreditar mas ela entende de eletrônica. Isso é praticamente uma tradição pra quem faz curso técnico e se empolga com a matéria: Depois do pisca-pisca com LED todo mundo tem que montar um transmissor de FM pra incomodar os vizinhos.

Não sei se a norma citada na revista Antenna ainda está em vigor (preguiça de olhar o site da Anatel), mas segue o esquema do transmissor de FM das fotos:

Esquema do transmissor de FM

P.S. – Para algo mais técnico sobre o tema e um tutorial passo a passo de como montar um desses clique aqui.

E a Kodak C713 retornou a minha bancada...

Hoje faz exatamente um ano que postei sobre as câmeras digitas que sofreram com a areia de praia. E não é que a Kodak C713 que tive que abrir ano passado para limpar a areia retornou esta semana para uma nova checagem? E pior que eu avisei a dona para tomar mais cuidado ainda, pois eu não consertaria novamente.

Kodak C713 aberta
Infelizmente desta vez não consegui dar jeito. Embora ela tenha sido pouco exposta a areia o LCD começou a apresentar um brilho excessivo. Como sempre desmontei a câmera o mínimo possível para evitar estragar mais ainda. A quantidade de areia dentro do mecanismo desta vez era bem menor e a limpeza foi tranqüila. Mas depois de remontar tudo (que é a pior parte) o display continuou com problemas. Desmontei mais um pouco, limpei mais, remontei e nada.

Kodak C713 aberta
Pensei em desmontar tudo de novo e checar as soldas e, caso necessário, ressoldar alguma suspeita. Como isso poderia causar outro problema e conhecendo a dona da câmera pensei melhor não fuçar mais com isso. Afinal fora o display meio branco pelo excesso de brilho a câmera funciona normalmente. Outro motivo de não querer nem olhar pra essa câmera é o maldito capacitor do flash de 110uF x 330V que me deu uns três ou quatro choques nada agradáveis. Eu sempre me esqueço de descarregar essas coisas antes de fuçar nos aparelhos.

Capacitor da Camera Kodak C713

Por dentro do Pense Bem da Tectoy

Atualizado em 07/01/2011: Veja no final do texto.

Sempre tive a curiosidade de saber o que tem dentro de um Pense Bem da Tectoy. Essa curiosidade vem desde o lançamento do brinquedo em 1988. Lembro das propagandas da época na TV e nos gibis mas nunca tive a oportunidade de desmontar o aparelho. Na verdade nem ao menos tinha visto um de perto até semana passada quando consegui comprar este aqui.

Pense Bem da Tectoy
O Pense Bem foi o segundo brinquedo lançado pela Tectoy (o primeiro foi a pistola Zillion) e foi eleito o brinquedo do ano de 1988. Ele vem com 8 jogos de matemática e dois de tons, sendo um deles parecido com o Genius da Estrela. O teclado possui 32 “teclas” de membrana incluindo as de ligar e desligar. O grande trunfo do brinquedo eram os livros que podiam ser comprados separadamente com jogos de perguntas e respostas. Para usar um livro bastava ligar o aparelho, apertar a tecla “Livro”, digitar o numero do livro e depois o grau dificuldade das perguntas. Como o numero do livro é composto por dois dígitos o sistema comportaria no máximo 99 livros diferentes (Fuçando no brinquedo descobri que o número máximo de livros possíveis é de 81 ou 162, preciso fazer mais testes para chegar a resposta correta, aguardem ). Infelizmente não encontrei uma lista de todos os livros lançados. Outra informação que não consegui encontrar é se o aparelho foi projetado no Brasil pela Tectoy ou era licenciado. Resumidamente podemos dizer que o Pense Bem é um ancestral destes notebooks infantis que vemos hoje nas lojas de brinquedos.

Parte de baixo do Pense Bem
O vendedor afirmou que não havia testado e provavelmente não funcionava mais e não tinha conserto. Isso não fazia muita diferença, pois eu só queria ver ele por dentro mesmo. Dei uma olhada nos parafusos e como não estava faltando nenhum e nem haviam marcas de desgastes provavelmente o aparelho nunca havia sido aberto. Como pode ser visto na foto acima o Pense Bem é alimentado por 6 pilhas médias (9 V). Há também um conector na parte traseira para ligar uma fonte externa de 9 V, 300 mA com positivo central. A caixa do brinquedo é muito bem feita e aguenta tranquilamente o uso “normal” por uma criança, algo que não se pode dizer dos brinquedos de hoje. Este aqui inclusive tem as marcas da tentativa de troca de cores das teclas feita provavelmente com lápis de cera.

Para minha decepção ao ligar o aparelho numa fonte externa tudo funcionou de primeira. Não faltou nada: teclado, som, display e programa, tudo normal. Assim não havia motivo algum para poder abrir o aparelho senão o de ver o que tem dentro (e documentar pra este post, claro). A base da caixa é fixada por seis parafusos e o teclado por meio de dois menores que não precisam ser retirados para abrir. O que encontramos após retirar a base é isso aqui:

Pense Bem da Tectoy aberto
Como podemos ver o teclado é um teclado de membrana comum, conectado a placa principal logo acima. O aparelho possui outra placa com os displays que ficam protegidos por um visor vermelho. Retirando os quatro parafusos que prendem a placa a caixa podemos ver o buzzer para o som e os displays:

Vista interna do Pense Bem
A parte de baixo da placa principal é assim:

Placa do Pense Bem - Lado da Solda
Ambas as placas são de face simples. A principal é de fenolite e a dos displays é de fibra. O display é feito com dois módulos separados, um com dois dígitos e um caracter alfa-numérico e outro com 4 dígitos de sete segmentos e um sinal de igualdade.

Placa do Display do Pense Bem
Olhando mais de perto a placa principal vemos que há apenas um chip da Zilog e 15 transistores. Os 8 transistores com aquela meleca (cola quente) perto do display servem para o sistema de multiplexação dos LED’s e são todos BC557 (PNP). Já os 7 restantes são BC338 (NPN) e servem para os circuitos de ativação do Buzzer, regulador de tensão (com o zener Z1 de 5.6V) e de liga-desliga pelo teclado de membrana.

Placa de circuito do Pense Bem
O coração do sistema é um chip de 28 pinos da Zilog marcado como Z0860008SC. Na mesma peça vem marcado Z8 (correspondente ao core) e 2k ROM (a capacidade de memória. Trata-se de um parente do famoso Z80 em versão MCU (série Z8). Zoom no CI:

Processador do Pense BemUPDATEAgora em vídeo:


Update 07/11/2011: Consegui um dos livros do Pense Bem (Thor, o guerreiro invencível) e a partir das informações de copyright descobri o fabricante e o nome originais do brinquedo. Lá fora o Pense Bem era chamado de Smart Start (depois virou uma linha de brinquedos com o mesmo nome) e era fabricado pela VTech (Video Technology Electronics LTd.). Encontrei um site com fotos da versão original e um anúncio antigo graças ao Googlebooks
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