Em qual revista saiu aquele artigo?

O post mais acessado deste blog não é conserto nem calculadora: é uma lista de revistas de eletrônica brasileiras, de 2009. De lá pra cá são quase 70 comentários perguntando por um artigo específico, um projeto que a pessoa só lembra vagamente, uma edição perdida. Eu sempre respondia catando no CSV cru do repositório no GitHub, na mão.

Agora tem uma busca no índice de revistas de eletrônica: título, autor ou componente, num índice de 54 mil artigos de 51 revistas (Antenna, Saber Eletrônica, Eletrônica Popular, Nova Eletrônica, Elektor e mais 46). Digita e a tabela devolve revista, edição, página e data. Sem instalar nada, sem mandar nada pra servidor nenhum, o índice inteiro baixa uma vez e a busca roda no seu navegador.

Testando com "555" aparecem 199 artigos, do circuito básico ao "Uma Utilização Insólita do C.I. 555" (Antenna, edição 85,1). Boa parte do índice é digitação minha mesmo, comparando sumário edição por edição; uma parte veio de índices que outras pessoas já tinham montado (Saber Eletrônica organizado pelo Reniet Marquet, Elektor a partir do blog do Picco) e a leva mais recente saiu de OCR com um modelo de linguagem local, direto dos PDFs escaneados. Cada revista com nome e ano de edição na própria página.

Se sua revista favorita ainda não tá lá, ou se achar algum erro, o repositório no GitHub aceita issue.

Mais doze calculadoras para a bancada

A leva passada foi o feijão com arroz: Lei de Ohm, divisor de tensão, filtro RC. Esta é a camada de cima — as contas que aparecem quando a montagem já está na bancada. Capacitor em série, constante de tempo, ganho de amp-op, quantos LED cabem numa fonte. Duas delas saíram direto dos comentários de posts antigos. Estão todas no índice de calculadoras.

Na ordem em que ficaram no índice:

  1. Associação de capacitores — em paralelo as capacitâncias somam; em série o total cai, igual a resistor em paralelo. Dá pra misturar pF, nF e µF na mesma lista.
  2. Constante de tempo RC — τ = R·C, os tempos pra chegar a 63 %, 90 %, 99 % e 99,9 % do valor final, e a tensão no capacitor num instante qualquer. Vem com o gráfico da curva de carga.
  3. Divisor de corrente — a corrente que entra num nó com dois resistores em paralelo se divide na razão inversa das resistências. Companheira do divisor de tensão da leva passada.
  4. Consumo e custo de energia — watts da etiqueta, horas por dia e a tarifa do verso da conta de luz; sai o gasto por dia, mês e ano. Serve pra decidir se compensa trocar aquele aparelho velho que fica ligado o tempo todo.
  5. Resistor para string de LED — tensão da fonte, LEDs em série por ramo, ramos em paralelo, Vf e If de cada um; devolve o resistor por ramo, a potência que ele queima e a corrente total. Essa nasceu dos comentários do post Luz de emergência de 30 LEDs por dentro — o Luciano apontou um resistor errado no esquema e o G.scapini religou o painel de LED num aquário; os dois estavam fazendo essa conta na mão.
  6. LM337 — o irmão negativo do LM317: mesma fórmula, mesma referência de 1,25 V, só a pinagem que muda. Fecha a dupla com a calculadora de LM317 que já estava no site.
  7. dBm ↔ watts ↔ tensão — 0 dBm é 1 mW, +30 dBm é 1 W. Digita um campo e os outros se ajustam; a tensão depende da impedância (50 Ω pra RF, 75 Ω pra vídeo e TV).
  8. Conversor de unidades de componente — «quanto é 4700 pF em nF?» sem contar zero. Ω, F e H.
  9. Valor comercial mais próximo — a conta deu 3247 Ω e você quer saber qual resistor de prateleira usar. Mostra o mais perto e os vizinhos imediatos em cada série, de E6 a E96, com o erro. É a mesma resposta que aquele programinha de 2015 dava, agora sem baixar nada.
  10. Ganho de amplificador operacional — inversor ou não inversor, entra o resistor de entrada e o de realimentação, sai o ganho em vezes e em dB. Ou o contrário: o ganho que você quer e o R de entrada, pra achar o de realimentação.
  11. Impedância de alto-falantes — ligar mais de um falante na mesma saída muda a impedância que o amplificador enxerga, e um valor baixo demais faz ele esquentar ou entrar em proteção. Impedâncias separadas por espaço, série ou paralelo.
  12. Potência RMS de amplificador — antes de acreditar num «200 W» de caixa de som, faça a conta: a potência sai da tensão de alimentação e da carga, não do adesivo. Também veio dos comentários — de posts sobre medir potência de amplificador, onde eu já tinha feito essa conta na mão pra responder.

Como na outra leva, nada aqui é invenção minha — é datasheet e fórmula de livro. A diferença é que desta vez duas entraram porque alguém perguntou nos comentários. Se você faz outra conta sempre na mão, escreve aí embaixo.

Refazer a escala de um medidor sem o CorelDraw

Em 2008 escrevi aqui um post sobre como fazer escala para medidor de bobina móvel. O motivo era uma fonte de bancada em que eu ia usar dois VU tirados de um gravador de fita cassete no lugar dos medidores — as escalas de origem não serviam e precisavam ser refeitas. Comecei no CorelDraw, como todo mundo, e a primeira escala saiu torta. A saída na época foi o Meter, um programinha que veio no CD do ARRL Handbook 2008: resolve, mas é Windows e a versão grátis trava depois de dez impressões.

Agora tem um que roda no navegador e não instala nada: o gerador de escala para galvanômetro e medidor analógico. Você parte de um modelo pronto — voltímetro, amperímetro, VU metro, S-metro, ohmímetro, medidor de 0 a 100 % com as faixas verde, amarela e vermelha —, ajusta o arco, o raio e a abertura em graus para o seu medidor, e imprime no tamanho físico exato: 100 %, sem «ajustar à página», recorta e cola sobre o movimento. Também dá pra baixar em SVG ou salvar como PDF pela própria janela de impressão.

O passo a passo, os tipos de escala e as contas do resistor multiplicador e do shunt ficam na própria página. O que dava trabalho no CorelDraw ele posiciona sozinho: a escala do ohmímetro, não linear e comprimida perto do infinito; a escala quadrática do amperímetro de RF de termopar; os números logarítmicos de uma régua de dB sobre voltímetro linear; e a correção da não-linearidade do movimento por uma tabela de valor ideal e valor medido. Zona colorida é uma linha de texto: início, fim e cor.

A fonte daquele post de 2008 foi montada: os dois VU ganharam escala nova feita no Meter. O que mudou de lá pra cá foi o programa — de Windows para uma aba do navegador.

Três jogos para decorar o código de cores

O blog tem as calculadoras de código de cores — resistor, capacitor, diodo, indutor — há um bom tempo. Mas calculadora você usa com a tabela do lado; decorar é outra história, e é o que trava quem está começando. Estes três joguinhos treinam esse trecho: aparece o componente, você diz o valor antes de o tempo acabar, e são cinco peças e três vidas por partida.

O do resistor e o do capacitor saíram há poucas semanas e nunca tiveram post. O do indutor é destes dias.

  1. Adivinhe o Resistor — o resistor desenhado, você informa valor e tolerância. Três níveis: E12 e E24 com quatro faixas, E48 com cinco. Foi o primeiro que fiz.
  2. Adivinhe o Capacitor — aqui o valor quase nunca vem por cor, vem impresso. O Fácil é o código de três dígitos (o «104» que é 100 nF), o Normal é a notação por letra, e o Difícil é a zebrinha antiga, com a faixa de tensão junto. Cerâmico com faixa de cor é coisa de gaveta velha, mas ainda aparece.
  3. Adivinhe o Indutor — de novo faixa de cor, o valor em µH. Fácil e Normal usam o código comercial de quatro faixas, igual ao do resistor. O Difícil é o código militar de cinco: uma faixa larga prateada que só diz «isto segue a norma militar» e não conta como dígito, e, para indutores abaixo de 10 µH, uma faixa dourada no meio marcando a vírgula. Indutor axial com faixa quase sumiu — esse nível é mais história que bancada. A tabela completa está na página de código de cores de indutores.

Os três guardam quais cores mais te enganam e passam a cobrar essas com mais frequência. Rodam offline depois que a página abre e também estão em inglês e espanhol. Quando você só quiser consultar, as calculadoras de código de cores continuam no índice.

As doze calculadoras que faltavam

O site já tinha calculadora de ruído térmico e de conversão estrela-delta, mas não tinha a da Lei de Ohm. As 15 que estão lá desde sempre nasceram de posts antigos — cada uma resolvia a conta de um projeto específico — e nunca cobriram o começo. Faltava o feijão com arroz. Fiz as doze de uma vez e pendurei todas no índice de calculadoras.

Na ordem em que estão lá:

  1. Lei de Ohm — entra com dois valores entre V, I, R e P, saem os outros dois.
  2. Associação de resistores — série, paralelo e lista de N valores. Tem também o modo inverso, «que combinação de valores comerciais chega mais perto de X Ω» — o mesmo problema que resolvi com um programinha em 2015, agora sem precisar rodar nada fora do navegador.
  3. Divisor de tensão — dois resistores, entra a tensão de cima e saem a de baixo e a corrente no braço.
  4. Resistor SMD — código de 3 e 4 dígitos e o EIA-96. O de 3 dígitos até dá pra ler de cabeça; o EIA-96, com a letra de multiplicador e o código de dois dígitos que não é o valor, eu nunca decorei e não pretendo.
  5. Filtro RC — frequência de corte de passa-baixa e passa-alta a partir de R e C.
  6. Ressonância LC — a frequência onde L e C se cancelam. Uso pra achar o ponto de partida de um circuito de rádio ou pra saber onde uma fonte chaveada vai chiar.
  7. Reatância e impedância — Xc, Xl e o módulo da impedância de um RLC série numa dada frequência. Companheira do filtro RC.
  8. Bitola de fio — AWG ↔ mm², com a queda de tensão para um comprimento e uma corrente. Serve pra quem monta uma fonte e pra quem vai puxar um fio grosso até a bancada.
  9. Autonomia de bateria — capacidade em mAh dividida pelo consumo médio, com uma folga pra não confiar no número redondo.
  10. Capacitor de filtro para fonte — o valor do eletrolítico pelo ripple que você aceita, dada a corrente e a frequência da rede. Fecha o conjunto com as calculadoras de LM317, 78XX e regulador Zener que já estavam no site.
  11. Largura de trilha de PCB — quanto de cobre para uma corrente, pela IPC-2221, trilha externa ou interna.
  12. Antena dipolo — o comprimento de cada perna para uma frequência, e a conversão comprimento de onda ↔ frequência de brinde.

Nenhuma inventa a roda — é tudo fórmula de livro. A ideia é não ter que abrir a planilha nem procurar a equação toda vez. Se faltar alguma que você usa direto, os comentários estão aí.