Que aparelho é este?

OBS: O post já estava pronto e enquanto estava postando resolvi dar uma olhada no aparelho e descobri um detalhe que deixei passar. Acrescentei essa descoberta como um update no texto, lá no fim. Publico o texto original como um registro da minha falta de atenção.

Comprei uma caixa de displays velhos (preciso parar de juntar coisas velhas, eu sei) e veio o seguinte aparelho:
Kodak Ektapro 1000TR Controller

A parte de baixo é assim:

Kodak Ektapro 1000TR Controller

Como se vê nas fotos não há indicação do modelo ou algo que leve a uma identificação precisa do que seja o aparelho. A principio parece um tipo de controle para um gravador, por causa das teclas “Record”, “Pause” e “Play”. Na lateral superior direita há um conector RJ11 que é a única aparente conexão externa disponível.

Neste ponto minha única certeza era de que era um dispositivo fabricado pela Kodak e a desconfiança de que teria relação com algum gravador. Se era de vídeo, áudio ou outro tipo de gravador ainda não sabia e seria necessário olhar dentro do brinquedinho.

Quatro parafusos de fenda fecham a caixa e, ao serem retirados, me deparei com a placa principal do dispositivo:

Kodak Ektapro 1000TR Controller
O projeto mecânico é muito bom indicando algo de aplicação profissional. A placa é presa por quatro furos que passam pelos quatro espaçadores para os parafusos que fecham a caixa. Fora os espaçadores a placa fica presa ao display por um conector de encaixe de 10 pinos. Desconectando a placa vemos o display, que também é preso pelos espaçadores, e a placa do teclado frontal. Desatarraxando os espaçadores o display pode ser retirado totalmente da placa.

Kodak Ektapro 1000TR Controller

Olhando mais de perto vi que o display é um Hitachi LM200 (gráfico, 64 x 240 pixels) e usa controladores HD44104. Pesquisando no São Google o melhor que encontrei foi a pinagem do display num site em Alemão. Se ele estivesse funcionando já justificaria a compra da caixa de velharias.

Deixando o display de lado, a placa controladora do aparelho me pareceu de projeto bem comum: um microcontrolador (6809 da AMI), uma EPROM de 16kB (27128), memória RAM (D4364, 8kB) e CI’s 74HC para expansões de portais. A única coisa um pouco diferente é a presença de um controlador HD61830A00 com sua memória RAM para o display gráfico.

Kodak Ektapro 1000TR Controller

Procurando por mais informações sobre a função ou modelo do aparelho encontrei apenas as identificações: “PWB User Interface” escrito na placa do teclado e “Assy. Keypad 05900005-001 Rev X3” na placa principal. Uma busca por estes termos não rendeu muita coisa e continuei sem saber que aparelho era aquele.

Sem muitas opções resolvi apelar para uma técnica de engenharia reversa que já me ajudou em outras ocasiões: Ler a EPROM e catar alguma string no arquivo que poderia ser útil. Futucando o binário encontrei apenas algumas strings, provavelmente de menus do display:

Kodak Ektapro 1000TR Controller

Não foi nada muito útil, mas as strings “PAL” e “NTSC” me levaram a crer que seria mesmo o controlador de um gravador de vídeo. Minha ultima chance seria ligar o aparelho numa fonte externa e ver se havia alguma coisa pra descobrir com o display funcionando. Após algumas medidas de continuidade, uma retirada do transistor regulador de tensão (que pensei ser um regulador integrado) e uns fios gambiarrados na placa consegui ligar o aparelho. O resultado desanimador foi este:

Kodak Ektapro 1000TR Controller

O aparelho "funcionou" e ficou apitando e indicando a mensagem "ERROR 04". Qualquer tecla que fosse pressionada não acontece nada.
Pois é, esta deve ser a primeira vez que eu não consegui identificar um aparelho com exatidão. Tenho algumas boas pistas do que seja, mas não cheguei ao modelo que facilitaria muito a busca de mais informações. Como último recurso coloquei aqui pra ver se alguém sabe do que se trata e comenta ai embaixo. Agradeço antecipadamente qualquer informação útil.

UPDATE: Pois é, deixei passar a inscrição "Kodak Spin Physics" na placa principal. Usando estes termos na busca do google o terceiro link me levou a uma página com mais detalhes do sistema Kodak Ektapro 1000TR. Trata-se então de um gravador de video de alta velocidade. Curiosamente o cara da página comprou um sistema destes sem o controlador. Ele deu um jeito de controlar o gravador construindo um novo controlador externo! Vale a pena uma olhada no site.

Testando a refrigeração do gabinete R460 da 3R System

Pois é, meu PC novo que estava montado em cima da mesa agora está em seu local definitivo. O motivo de montar daquele jeito foi para aproveitar o fim de semana (que é quando tenho mais tempo livre) pra instalar e testar tudo com calma. Esse PC foi comprado em quatro lojas diferentes: Gabinete, Monitor, acessórios e a parte de dentro. O Gabinete foi a primeira coisa que comprei e o primeiro que foi enviado. Só que foi o último a chegar! Daí deu naquilo...

A principio não havia muita necessidade de trocar o PC, o antigo dava pra trabalhar tranqüilo ainda (Pentium 4 – 3GHz). O problema era com os jogos. Tá certo que eu não jogo tanto quanto antigamente, mas estava ficando chato reduzir a qualidade dos gráficos para tentar jogar uns jogos mais recentes (de 3-4 anos atrás). Joguei todo o Command & Conquer 3 esguelando minha FX5200, mesmo com a qualidade dos gráficos colocada no nível “Sofrível”. Mesmo assim eu esperava trocar de máquina apenas quando a Blizzard lançasse “Diablo 3”. Como a Blizzard é a Blizzard o jogo só será lançado quando estiver pronto e nesse tempo eu ainda não havia jogado “Red Alert 3” e a EA já ia lançar “Command & Conquer 4”. Jogo C&C desde o demo da primeira edição (1996-97) e não queria quebrar a tradição.

Decidido então pela troca (isso foi no fim do ano passado) passei a escolha da configuração. Isso levou um tempo considerável enquanto eu lia fóruns e checava os preços nas lojas online. Minha maior desconfiança era quanto ao aquecimento da máquina. O Pentiun IV aquecia consideravelmente já que dentro do gabinete só tinha a ventoinha do processador, nem a placa de vídeo tinha um cooler. Em dias muito quentes chegava a travar tudo. Com o PC novo eu não queria correr esse risco e como esta seria uma máquina com uma performance um pouco superior o aquecimento poderia ser um problema. Escolhi o gabinete com a maior quantidade de fans que encontrei. Curiosamente, um dia após ter comprado o gabinete o Clube do Hardware fez um review do gabinete dando seu selo de aprovação. Fiquei um pouco mais aliviado mas ainda curioso em saber se a coisa não ia ficar quente.

Gabinete R460 da 3R System

Então (pra não esticar muito a conversa, já que escrevi três parágrafos e ainda não entrei no assunto do post) depois de terminar de montar fiz algumas medidas de temperatura dentro do gabinete. Pensei em usar um software para monitorar as temperaturas mas acabei usando um alicate amperométrico (Toyo TY9900T) com medidor de temperatura. O termopar foi colocado em contato com os dissipadores da placa de vídeo e do processador. Era pra ter feito medidas no HD e na fonte, mas o HD fica com uma ventoinha “na cara” o tempo todo e, no teste do dedão, a temperatura dos dois não ficou tão alta.

Gabinete R460 da 3R System

A configuração do PC é esta:
Processador: Intel Core i5 750 (2.66GHz);
Motherboard: Asus P7P55D Pro;
Placa de Vídeo: XFX GTS250 (1GB de RAM);
Memória: 2x2GB Corsair DDR3 1333MHz;
Fonte: Corsair CMPSU-550VX 550W (exagerado, mas consegui um bom preço e é melhor sobrar do que faltar);

A máquina está configurada para resolução de 1920 x 1080 com Windows 7 Pro 64 bits. As temperaturas foram medidas com o computador sem uso (Idle) por um tempo e depois rodando o jogo “Need for Speed Undercover” (foi a coisa mais pesada que eu consegui) com tudo no máximo, AA em 6x e em Full-HD.

Pra quem não conhece o R460, clique aqui e veja os detalhes no site da 3R System. É um gabinete comum com um exaustor com duas fans em cima. Existe ainda uma ventoinha na parte de baixo perto das baias para HD’s e uma pequena no fundo em cima. Essa última eu não liguei por achar que não faz diferença. A fonte é montada no “chão” do gabinete numa solução de refrigeração diferente do que estamos acostumados. Vejam as fotos no site oficial para entender melhor.

O PC está com os coolers de fábrica no processador (Box) e na placa de vídeo com suas velocidades controladas pelos drivers das placas. O gabinete possui uma chave de três posições para controle dos exaustores na parte de cima. Com ela podemos colocar as ventoinhas em velocidade máxima (High), baixa (Low – jogando alimentação direta do 5V) e desligadas. Fiz os testes com as três velocidades. Os resultados foram os seguintes:

Temperatura ambiente: 28ºC;

---> Placa de vídeo: <---
Com os exaustores desligados:
PC Parado (Idle): 50ºC
Rodando NFS Undercover: 60ºC

Com os exaustores em baixa velocidade (Low):
PC parado (Idle): 47ºC
Rodando NFS Undercover: 52ºC

Com os exaustores em velocidade máxima (High):
PC parado (Idle): 44ºC
Rodando NFS Undercover: 49ºC

---> Processador: <---
Com os exaustores desligados:
PC Parado (Idle): 55ºC
Rodando NFS Undercover: 75ºC (parei os testes antes que subisse mais)

Com os exaustores em baixa velocidade (Low):
PC parado (Idle): 43ºC
Rodando NFS Undercover: 50ºC

Com os exaustores em velocidade máxima (High):
PC parado (Idle): 41ºC
Rodando NFS Undercover: 49ºC

Não houve muitas surpresas nestes testes. A única coisa que me preocupou foi a temperatura do processador com as fans desligadas. Parei o teste quando o dissipador passou de 75ºC (temperatura alta para um dissipador), ligando os exaustores em velocidade baixa (Low). A temperatura baixou rapidamente, caindo 25ºC em menos de um minuto. Curioso que a diferença de temperatura com as ventoinhas em alta ou baixa velocidade pode ser desconsiderada para o processador. Depois disso só uso o PC com a chave do gabinete em Low (menor ruído e quase o mesmo efeito). A placa de vídeo, que era minha maior preocupação, se comportou muito bem. A temperatura não ficou tão alta como imaginava.

Bom, os resultados dos testes estão aí e espero que sejam úteis para quem tem ou está pensando em adquirir este modelo de gabinete.

Por dentro de um chaveador de portas paralelas

Comprei esse chaveador de paralelas no ferro-velho pra usar a caixa num amplificador de áudio que pretendo montar. Aproveitei pra tirar umas fotos internas pra postar aqui, enquanto inspecionava a caixa pra ver se caberia um amplizinho. No século passado esses aparelhos eram comuns mas acabaram desaparecendo com o surgimento do padrão USB.

Chaveador de portas paralelas

Por volta de 1998/99 eu fazia uma ponte ligando a paralela do PC no Zip Drive que ligava no scanner que finalmente ligava na impressora (uma citzen Printiva 700, com cartuchos de sublimação de cera impossíveis de encontrar, outra tecnologia que não vingou). Quando precisava ligar uma interface paralela cheia de CI’s TTL’s ou o gravador de 8051 tinha que tirar todo mundo da porta, já que não funcionavam com os outros aparelhos ligados. Um chaveador destes seria uma ajuda extra naqueles tempos.

Chaveador de portas paralelas

Eu pensava que o circuito interno seria de uma complexidade digna do que cobravam pelo aparelho. Ainda mais neste de quatro portas. Finalmente ao abrir o chaveador para ver o que tem dentro descobri que não poderia ser mais simples: Uma chave e fios, muitos fios. Fiquei até com pena do montador do chaveador soldando fio o dia todo.

Chaveador de portas paralelas

Depois de aberto também descobri o provável motivo do chaveador ter sido mandado pro ferro-velho. Como pode ser visto na foto abaixo uma das pastilhas da chave seletora quebrou, inutilizando uma das portas.
Chaveador de portas paralelas

PC novo...

Pois é, troquei de PC. Assim que eu tiver um tempo (e paciência) conto toda a novela que foi colocar ele pra funcionar ao mesmo tempo em que tentava cumprir alguns prazos de projetos estourando por aqui. No fim de semana tive que trabalhar com o PC neste estado (Agora tá um pouco melhor, mas ainda não acabou.):
PC novo

Sobre Microtransmissores de FM

Estava fuçando na minha estante de revistas antigas e me deparei com um editorial da revista Antenna, Volume 91 No. 5 de Setembro/Outubro de 1984. Neste editorial o grande Gilberto Afonso Penna (o Junior) fala sobre uma norma federal baixada em 1983 restringindo o uso de equipamentos “de radiação restrita” (minitransmissores). Segundo o editorial o DENTEL pediu a várias editoras técnicas e aos fabricantes de kits para que parassem com a divulgação e a comercialização dos aparelhinhos.

Transmissor de FM Scorpion
O editor informa que a revista Antenna, seguindo o pedido do DENTEL, havia cessado a publicação de artigos sobre o tema e lamenta que as outras editoras não tenham feito o mesmo. E nunca fizeram: kits de microtransmissores de FM podem ser encontrados a venda até hoje e a revista de eletrônica (só sobrou uma) continua a publicar o mesmo circuito ano após ano.

Placa do transmissor de FM Scorpion
E este editorial da Antenna me fez lembrar que eu tenho guardado dois destes transmissorzinhos. Um deles (das fotos acima) é o famoso Scorpion fabricado pela Superkit e o outro foi montado por uma colega no tempo que eu fazia curso técnico (1992-95) baseado em alguma revista. Eu ganhei os dois junto com um lote de velhos componentes e outras tranqueiras que a dona nunca mais iria usar.

Microtransmissor de FM
A versão “não comercial” mostrada acima foi feita num pedaço de circuito impresso desenhado com caneta para retroprojetor e fita adesiva (Durex). O mais legal é que a dona do transmissor assinou a “obra” no lado da solda:

Placa microtransmissor FM
Sim! Ela mesma, vocês podem não acreditar mas ela entende de eletrônica. Isso é praticamente uma tradição pra quem faz curso técnico e se empolga com a matéria: Depois do pisca-pisca com LED todo mundo tem que montar um transmissor de FM pra incomodar os vizinhos.

Não sei se a norma citada na revista Antenna ainda está em vigor (preguiça de olhar o site da Anatel), mas segue o esquema do transmissor de FM das fotos:

Esquema do transmissor de FM

P.S. – Para algo mais técnico sobre o tema e um tutorial passo a passo de como montar um desses clique aqui.

Calculadora relacionada: Frequência de ressonância LC · Antena dipolo.

E a Kodak C713 retornou a minha bancada...

Hoje faz exatamente um ano que postei sobre as câmeras digitas que sofreram com a areia de praia. E não é que a Kodak C713 que tive que abrir ano passado para limpar a areia retornou esta semana para uma nova checagem? E pior que eu avisei a dona para tomar mais cuidado ainda, pois eu não consertaria novamente.

Kodak C713 aberta
Infelizmente desta vez não consegui dar jeito. Embora ela tenha sido pouco exposta a areia o LCD começou a apresentar um brilho excessivo. Como sempre desmontei a câmera o mínimo possível para evitar estragar mais ainda. A quantidade de areia dentro do mecanismo desta vez era bem menor e a limpeza foi tranqüila. Mas depois de remontar tudo (que é a pior parte) o display continuou com problemas. Desmontei mais um pouco, limpei mais, remontei e nada.

Kodak C713 aberta
Pensei em desmontar tudo de novo e checar as soldas e, caso necessário, ressoldar alguma suspeita. Como isso poderia causar outro problema e conhecendo a dona da câmera pensei melhor não fuçar mais com isso. Afinal fora o display meio branco pelo excesso de brilho a câmera funciona normalmente. Outro motivo de não querer nem olhar pra essa câmera é o maldito capacitor do flash de 110uF x 330V que me deu uns três ou quatro choques nada agradáveis. Eu sempre me esqueço de descarregar essas coisas antes de fuçar nos aparelhos.

Capacitor da Camera Kodak C713

Por dentro do Pense Bem da Tectoy

Atualizado em 07/01/2011: Veja no final do texto.

Sempre tive a curiosidade de saber o que tem dentro de um Pense Bem da Tectoy. Essa curiosidade vem desde o lançamento do brinquedo em 1988. Lembro das propagandas da época na TV e nos gibis mas nunca tive a oportunidade de desmontar o aparelho. Na verdade nem ao menos tinha visto um de perto até semana passada quando consegui comprar este aqui.

Pense Bem da Tectoy
O Pense Bem foi o segundo brinquedo lançado pela Tectoy (o primeiro foi a pistola Zillion) e foi eleito o brinquedo do ano de 1988. Ele vem com 8 jogos de matemática e dois de tons, sendo um deles parecido com o Genius da Estrela. O teclado possui 32 “teclas” de membrana incluindo as de ligar e desligar. O grande trunfo do brinquedo eram os livros que podiam ser comprados separadamente com jogos de perguntas e respostas. Para usar um livro bastava ligar o aparelho, apertar a tecla “Livro”, digitar o numero do livro e depois o grau dificuldade das perguntas. Como o numero do livro é composto por dois dígitos o sistema comportaria no máximo 99 livros diferentes (Fuçando no brinquedo descobri que o número máximo de livros possíveis é de 81 ou 162, preciso fazer mais testes para chegar a resposta correta, aguardem ). Infelizmente não encontrei uma lista de todos os livros lançados. Outra informação que não consegui encontrar é se o aparelho foi projetado no Brasil pela Tectoy ou era licenciado. Resumidamente podemos dizer que o Pense Bem é um ancestral destes notebooks infantis que vemos hoje nas lojas de brinquedos.

Parte de baixo do Pense Bem
O vendedor afirmou que não havia testado e provavelmente não funcionava mais e não tinha conserto. Isso não fazia muita diferença, pois eu só queria ver ele por dentro mesmo. Dei uma olhada nos parafusos e como não estava faltando nenhum e nem haviam marcas de desgastes provavelmente o aparelho nunca havia sido aberto. Como pode ser visto na foto acima o Pense Bem é alimentado por 6 pilhas médias (9 V). Há também um conector na parte traseira para ligar uma fonte externa de 9 V, 300 mA com positivo central. A caixa do brinquedo é muito bem feita e aguenta tranquilamente o uso “normal” por uma criança, algo que não se pode dizer dos brinquedos de hoje. Este aqui inclusive tem as marcas da tentativa de troca de cores das teclas feita provavelmente com lápis de cera.

Para minha decepção ao ligar o aparelho numa fonte externa tudo funcionou de primeira. Não faltou nada: teclado, som, display e programa, tudo normal. Assim não havia motivo algum para poder abrir o aparelho senão o de ver o que tem dentro (e documentar pra este post, claro). A base da caixa é fixada por seis parafusos e o teclado por meio de dois menores que não precisam ser retirados para abrir. O que encontramos após retirar a base é isso aqui:

Pense Bem da Tectoy aberto
Como podemos ver o teclado é um teclado de membrana comum, conectado a placa principal logo acima. O aparelho possui outra placa com os displays que ficam protegidos por um visor vermelho. Retirando os quatro parafusos que prendem a placa a caixa podemos ver o buzzer para o som e os displays:

Vista interna do Pense Bem
A parte de baixo da placa principal é assim:

Placa do Pense Bem - Lado da Solda
Ambas as placas são de face simples. A principal é de fenolite e a dos displays é de fibra. O display é feito com dois módulos separados, um com dois dígitos e um caracter alfa-numérico e outro com 4 dígitos de sete segmentos e um sinal de igualdade.

Placa do Display do Pense Bem
Olhando mais de perto a placa principal vemos que há apenas um chip da Zilog e 15 transistores. Os 8 transistores com aquela meleca (cola quente) perto do display servem para o sistema de multiplexação dos LED’s e são todos BC557 (PNP). Já os 7 restantes são BC338 (NPN) e servem para os circuitos de ativação do Buzzer, regulador de tensão (com o zener Z1 de 5.6V) e de liga-desliga pelo teclado de membrana.

Placa de circuito do Pense Bem
O coração do sistema é um chip de 28 pinos da Zilog marcado como Z0860008SC. Na mesma peça vem marcado Z8 (correspondente ao core) e 2k ROM (a capacidade de memória. Trata-se de um parente do famoso Z80 em versão MCU (série Z8). Zoom no CI:

Processador do Pense BemUPDATEAgora em vídeo:


Update 07/11/2011: Consegui um dos livros do Pense Bem (Thor, o guerreiro invencível) e a partir das informações de copyright descobri o fabricante e o nome originais do brinquedo. Lá fora o Pense Bem era chamado de Smart Start (depois virou uma linha de brinquedos com o mesmo nome) e era fabricado pela VTech (Video Technology Electronics LTd.). Encontrei um site com fotos da versão original e um anúncio antigo graças ao Googlebooks
Vtech Smart Start Ad

O urso com música na barriga (ou: Como enfiar um MP4 player num urso de pelúcia)

Como já falei antes aquela pessoa que me proibiu de falar seu nome aqui no blog possuía um MP4 player que já deu pau uma vez. Pois então, aconteceu (e já era esperado) dele apresentar outro problema desta vez no teclado. Algumas teclas começaram a falhar e pararam de vez depois de um tempo. A dona do aparelho o trouxe aqui pra eu consertar novamente e ao abrir logo notei o flat cable quebradiço causando a falha nas teclas (isso parece ser muito comum). Tentei dar uma ajeitada nele mas acabou quebrando de vez e achei melhor substituir por outro.
Flat Cable quebrado
Flat cable do MP4
Como não tinha nada parecido com aquele cabo refiz as ligações com cabo paralelo comum retirado de um flat IDE. O teclado funcionou normalmente fora da caixa. Funcionaria também dentro dela se coubesse... Como não coube eu guardei o aparelho numa gaveta pra ver depois. E o tempo foi passando.
MP4 consertado
O MP4 com o novo flat
Para substituir o MP4 a dona resolveu comprar outro e, num estranho lampejo de bom senso, acabou comprando um IPOD Shuffle. O MP4 estaria fadado a um longo descanso dentro da gaveta não fosse a dona lembrar que ele existia e bolar uma modificação para o coitado. A idéia era aproveitar o aparelho colocando tudo dentro de algum outro “container” diferente para ser usado pelo filho da dona do MP4.
O acerto era de que eu cuidaria da parte eletrônica e a dona da parte artesanal da coisa. Tudo, claro, seria registrado para posterior inserção aqui no blog. Para a nova “caixa” do MP4 foram cogitadas varias opções, de brindes do Mcdonalds (pequenos demais) até a confecção de um boneco de pano pra isso. Cheguei a rabiscar uns projetos no papel mas como a dona é a preguiça em pessoa acabou não passando disso. Quase que eu acabei fazendo tudo incluindo cortar o pano e montar o bicho. Por sorte a dona possuía vários bichos de pelúcia que ela compra por R$1,00 o quilo nos brechós da vida e um deles acabou sendo escolhido para servir de hospedeiro para o MP4.
O urso de pelúcia hospedeiro do MP4
Seguindo a divisão de tarefas previamente estabelecida eu fiz a minha parte conforme a seqüência de fotos abaixo:
1. Separei os componentes para a operação. Toda a placa do teclado deveria ser retirada e substituída por teclas mais robustas. Escolhi o modelo de push-button das fotos que possui fixação por meio de rosca com porcas plásticas para facilitar o posicionamento no corpo do urso. Arranjei também um plug para fone de ouvidos com porca metálica.
MP4 e os novos componentes
2. Antes de retirar a placa do teclado eu tirei o esquema das teclas para não ficar perdido depois.
Esquema do teclado do MP4
3. Para ter acesso a parte interna do urso usei um estilete e abri as costas do bicho cortando a costura original para facilitar o fechamento depois.
Operando o urso
4. Com o bicho aberto e com o enchimento retirado virei o urso do avesso antes de começar a colocar os componentes e passar a nova fiação.
O urso de pelúcia do avesso
5. O motivo de usar chaves push-button com porcas pode ser visto agora. Com o estilete cortei pequenas aberturas nas mãos, pés e abaixo da cabeça do urso e passei as chaves, fixando com as porcas. Depois de tudo fixado eu soldei a fiação e protegi as soldas com cola quente.
Fiação interna do urso
6. Com a fiação do novo teclado concluída soldei os fios na placa do MP4 conforme o esquema que desenhei antes.
Placa do MP4 ligada a fiação do urso
7. Com pedaços de fio rígido ajeitei a fiação e fiz um teste ligando o aparelho para ver se estava tudo ok.
Teste do MP4 no urso
8. A saída para os fones ficou atrás da cabeça meio que escondida:
Saída do MP4 na cabeça do urso
Neste ponto acabou a minha contribuição. Agora era a vez da dona preguiça ajeitar tudo lá dentro, abrir uma saída para a tela, colocar o enchimento e fechar o bicho. Tá certo que ela fez isso, mas faltou documentar como combinado. Assim fiquei sem as fotos da última parte. Nem foto do bicho concluído era tirou. Acabou que eu tive que tirar as fotos finais e com o celular. A solução para a moldura da tela ficou estranha (ela fez as pressas), como vocês podem ver:
Moldura do MP4 no peito do urso
Pode acreditar que essa tela deu trabalho pra ficar na posição. Muita cola quente teve que ser usada pra isso dar certo. Embora tenha ficado estranho e muito feio, o boneco funciona como esperado. Curiosamente o bicho acabou fazendo sucesso e muita gente parou a dona preguiça na rua para perguntar onde foi comprado (quem só viu de longe) ou como foi feito (depois que a pessoa olha com mais atenção e vê o amadorismo da obra).
O Urso com Música na Barriga
Nota: Este post estava guardado já faz tempo. Para vocês terem uma idéia o amplificador de fones de ouvido que tirei de um CD-ROM postado aqui em 13 de julho do ano passado seria usado neste urso. Eu iria usar o amplificador ligado a um alto falante, mas isso implicaria em colocar alimentação extra com pilhas só pra ele. Assim achei melhor usar apenas as saídas originais do MP4 para fones mesmo.

Quatro erros comuns no uso da eletrônica na ficção

Normalmente na ficção (notadamente no cinema e TV) somos obrigados a engolir algumas marmeladas para o bem da diversão. Isso não é problema quando notamos que aquilo que esta sendo mostrado é impossível ou improvável. O problema é quando não entendemos de um certo assunto e algum erro passa batido. Isso deve acontecer muito em séries de médicos. Já me peguei pensando se tudo o que acontece em House tem alguma coisa de verdadeiro ou os roteiristas extrapolam pensando que ninguém vai perceber. Os médicos devem se divertir muito assistindo e descobrindo os erros conceituais na historia.

Isso pode ser levado para outras áreas, é claro. Assim, baseado em minha formação profissional, reuni estes quatro exemplos de equívocos e “licenças” usados em ficção que desafiam algumas das noções básicas de eletricidade e eletrônica.

1. O relógio com display de LED’s das bombas: Se você for pensar em fazer uma bomba (NSA isso é só um exemplo) certamente vai se deparar com o problema do mecanismo de disparo. Se for usar um circuito eletrônico terá que alimentar o bichinho com alguma coisa. Ligar na tomada não é uma boa opção. O mocinho que com a mais absoluta certeza irá descobrir a bomba só teria o trabalho de puxar o plug. É preciso uma bateria. Como todo mundo que tem notebook sabe, bateria tem duração. E essa duração depende do que está ligado a ela. Então, por que raios o pessoal dos filmes usa um display enorme com LED’s? Só aquele display acabaria com a bateria em poucas horas. Isso se a bateria for grande, o que não é o caso dos filmes.Já viu alguma bateria grande ligada a alguma bomba em algum filme? Não é comum...

O pessoal adora usar bateria pequena ou bateria nenhuma nas bombas cinematográficas. Já os circuitos são os maiores possíveis. É comum ver bombas com uma placa enorme cheia de CI’s e LED’s piscantes.

Outra coisa, se você quer explodir algo, pra que colocar o relógio se ninguém vai ver? No filme “A outra face” o personagem de Nicolas Cage coloca uma bomba com relógio num armário e fecha. Tá lá o relógio contando pra ninguém ver. Isso nos leva a uma conclusão óbvia: bombas com mostrador a LED’s fatalmente serão encontradas e desarmadas.

Até o Predador usa um contador desses pra se autodestruir, com direito a numerais alienigenas com LED's...

2. Só existem três cores de fios: Verde, Azul e Vermelho. Essa é batata. Já viu alguém em algum filme falando: “Corte o fio laranja, Jack?” Não... É sempre o fio verde ou azul que desarma o sistema. E o vermelho é o que acaba com tudo. Até parece que o pessoal que projeta o sistema, computador super inteligente, bomba, míssil ou outra bugiganga vai pensar em sempre usar a mesma cor. Deve ter alguma norma secreta para terroristas e bad guys dos filmes sobre como usar fios coloridos.

O melhor caso deste tipo (e provavelmente o primeiro) acontece no filme “inferno em alto mar” (1974) onde um cara põe uma bomba em um navio e ameaça explodir tudo. No final quando prendem o sujeito fica a duvida se é pra cortar o fio vermelho ou o azul para desarmar a bomba. Perguntam então ao chantageador que diz pra cortar o vermelho. E fica o drama de saber se ele realmente esta falando a verdade. O resto é fácil adivinhar.

3. Osciloscópios servem pra tudo: De rádio do além (O orfanato) a leitor de mentes (Fringe) os osciloscópios são usados pra tudo, menos pra medir freqüência, verificar formas de onda ou alguma aplicação normal. Fora a figuração que eles fazem em todo filme que mostre uma sala de controle. Da escotilha de Lost a naves espaciais é só procurar nos cantinhos que sempre tem um osciloscópio parado mostrando alguma coisa bonitinha. O mais estranho é o uso de figuras de Lissajous. Em mais de 15 anos de contato com estes aparelhos só usei Lissajous em sala de aula. Aprendi pra que servem mas nunca tive a necessidade de usar. Só vi uma única vez em todos esses anos alguém recorrer a elas pra medir alguma coisa. Mas nos filmes sempre tem um Lissajous bonito e em movimento.

4. Teoria de Propagação das ondas Hertzianas é para os fracos: Os filmes desconhecem a atenuação do espaço livre, interferência e outros detalhes que teimam em atrapalhar as comunicações. A menos que seja necessário na trama, toda comunicação sem fio funciona que é uma beleza. Algumas funcionam bem ate demais. Quem leu “O código da Vinci” lembra do rastreador colocado no cara no museu. Do tamanho de um botão, mas podia ser recebido em qualquer canto, ignorando as paredes do museu e até a caçamba do caminhão. Para um alcance daqueles seria necessário uma bateria nuclear para dar uma boa potencia de transmissão e naquele tamanho. Mas isso é fichinha perto de “O núcleo” onde os cientistas transmitem alto e claro de dentro do núcleo de ferro derretido da terra. Esse filme tem tantos erros que o pessoal do IMDB teve que colocar um aviso na pagina de goofs dizendo que era pra considerar que a história se passa em um universo onde essas coisas dão certo.

Tem também o “Inimigo do Estado” onde vários transmissores funcionavam em toda a roupa do Will Smith sem um interferir no outro. E, claro, tudo sendo recebido tranqüilamente numa central a milhares de quilômetros.

Nota: Este post foi originalmente escrito para o Cuxaxo em Janeiro deste ano, mas como não gerou muita curiosidade por lá resolvi trazer ele pra cá.

Um eficiente sistema de abertura para portas (ou: Fechadura elétrica é para os fracos)

Fui descarregar umas fotos do celular e lembrei que havia tirado algumas da casa de um amigo há alguns meses. Ele havia se mudado e dei uma passada por lá pra conhecer. Nesta visita o que me chamou a atenção foi uma corda de varal ligando a maçaneta da porta no andar de baixo até junto a porta de entrada da casa, que fica no segundo andar.

Fechadura
Esta corda ao ser puxada aciona a maçaneta e abre a porta ao mesmo tempo e já estava instalada quando meu amigo alugou a casa. O sistema poupa o tempo de descer as escadas para abrir a porta pra alguém e depois ter que subir todos os degraus de novo. O mais legal é a simplicidade da coisa, que pode ser facilmente entendida na sequência de fotos.

Acionamento da porta
Acionamento da porta
Acionamento da porta