quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Tô famoso?

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Hm... Já passou bastante tempo e eu só tinha publicado isso lá na página do blog no Facebook (aproveita e curte lá).

Pois então pessoal, no começo do ano (por volta de Março ou Abril) o pessoal do site EEWeb (Electrical Engineering Comunity) me convidou para dar uma entrevista que foi publicada em Julho. Era pra ter colocado o link aqui mas foi meio corrido nesta época (me casei em Maio) e a entrevista ainda foi publicada justo no dia em que saí de férias e fui pro Sul, onde nem celular funcionava direito. Depois eu fui adiando e esqueci de falar pra vocês.


Ao final da entrevista tem uma lista com outros entrevistados, com muita gente conhecida. Recomendo a leitura, pra quem tiver tempo, das entrevistas de David L. Jones (sem o sotaque), Jack Ganssle, Jeri Ellsworth e Bob Pease (A lenda), para ficar nos mais famosos (realmente é muito estranho eu aí no meio). Uma que gostei muito foi a do Leslie Perjes, que eu não conhecia, que mantém um blog muito bom sobre áudio.

domingo, 25 de novembro de 2012

Não compro mais pen drive com conector de plástico (ou consertando um pen drive com conector quebrado)

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Ô título grande este. Mas então, pen drives são as novas pragas que povoam minha bancada. Tempo bom quando só apareciam os ferros de passar roupa da Black & Decker (aquele preto, que parece ter partes de baquelite) de parentes e vizinhos pra consertar. Eles sumiram e agora só aparecem celulares e pen drives, sempre com aquela conversa de "tenta arrumar, se não tiver conserto pode jogar fora" e nisso vão se acumulando aqui em casa. O lado bom disso é que sempre tenho peças de reposição e foi por isso que resolvi dar um jeito num pen drive SanDisk de 16GB que estava assim:

Pen drive Sandisk 16GB

Provavelmente por motivos econômicos os fabricantes estão abolindo o uso do conector padrão USB por conectores plásticos que não duram nada e pra piorar ainda usam a própia PCB com trilhas para os contatos. Este da foto quebrou o conector dos dois lados e era reconhecido apenas quando colocado com cuidado na porta USB. Qualquer sopro e ele não era mais reconhecido. Após me irritar várias vezes com ele resolvi que era hora de corrigir o defeito e nada melhor que um Domingo de chuva pra fazer isso.

Primeiro escolhi um "doador de corpo" entre os pen drives mortos que tenho aqui. O escolhido foi este, que tem uma caixa muito comum, com um bom espaço interno:

Pen drive com defeito

Nem lembro mais quem me passou este para consertar, mas era de 4GB. Antes de começar testei de novo pra ver se, por milagre, ele tinha voltado a vida. Mas nem apareceu no PC, apesar do LED acender.

Comecei separando a placa em duas partes deixando um pedaço no lado do conector para manter uma boa fixação na caixa:

placa do pen drive

E pra alegria do pessoal que lê o blog (sim, eles existem) claro que tirei fotos da placa do pen drive da SanDisk. Olha o lado dos componentes da placa:

Pen drive SanDisk aberto
Aí dá pra ver o conector feito com placa de circuito impresso, já um pouco desgastado. Agora do outro lado é assim:
Placa do pendrive SanDisk

Continuando, cortei a placa do SanDisk retirando a parte do conector USB, deixando apenas uns toquinhos para soldar depois. Lixei um pouco esta placa e a do pen drive doador:

placas dos pen drives

Com pedaços de fio rigido soldei as duas placas:

conserto do pen drive

Como nada dá certo de primeira, o resultado ficou maior que a caixa. Como eu testei fora da caixa e funcionou resolvi não mexer muito e acabei lixando a parte traseira pra caber:


Depois obri com um pedaço de fita isolante e, de longe, nem dá pra perceber:

Pen drive consertado

Claro que não vou usar este pen drive para coisas importantes (na verdade eu não uso pen drives para coisas importantes). E claro também que eu poderia simplesmente ter comprado um pen drive novo, mas daí  perderia a diversão de sentar na bancada no Domingo chuvoso e soldar um pouco.

Observção: Provavelmente esta "adaptação" interfere na velocidade de transferência de arquivos, mas nos testes que fiz não notei grande diferença.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Por dentro do console FunPlay da Freetroncom

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Comprei este console já faz um tempinho e estava esquecido numa gaveta na sala. Ele foi comprado para ser usado pela minha esposa que queria jogar Sonic. O bichinho é basicamente um emulador de Sega Master System e Game Gear e vem com 20 jogos na memória, sem entrada para cartucho. Ela jogou uma duas ou três vezes com ele, que depois foi pra gaveta. Me lembrei do console depois de fazer uma lista com os aparelhos que quero desmontar e tirar fotos internas para mostrar pra vocês, meus leitores (espero que ainda exista algum).

Então, o console é este aqui:

Console FunPlay

Ele é bem pequeno, como podem ver, e nem um pouco ergonômico (tem o formato da cabeça do Sonic). Funciona com três pilhas pequenas (AA) e tem um botão de liga desliga embaixo e um de Reset em cima, perto do cabo de áudio e vídeo. Cabo este que tem 3 metros de comprimento. Ainda está a venda na DealExtreme por apenas US$15,00. O fabricante é uma tal de Freetron cujo website sumiu da rede.

Para abrir o aparelho apenas quatro parafusos prendem as duas partes da caixa. Como no gravador G540 é só isso mesmo, nada de pecinhas plásticas chatas que quebram com facilidade. Ao abrir vemos a placa (PCB) principal pelo lado de baixo (clica que aumenta):

Console FunPlay aberto

Nada de interessante aí, só um cristal de 27MHz, uma bobina, um capacitor eletrolitico e uma bobina. E nem adianta ficar feliz com aqueles seis jumpers logo abaixo do eletrolitico. Eles servem apenas para ligar capacitores para filtragem dos botões. A placa é presa por apenas dois parafusos, sem complicação. Retirados os parafusos  e virada a placa vemos o lado dos componentes:

Sega FunPlay PCB

E, infelizmente, o console é só um chip bolha preta ligado aos botões e a uma plaquinha com a memória (outra bolha preta). Não analizei a fundo, mas me parece que esta placa pode ser substituída por uma memória qualquer de 3.3V com 44 pinos com qualquer ROM de Master System ou de GameGear que deve funcionar. E se isso funcionar dá até pra adaptar uma entrada pra cartuchos, tomando cuidado com a diferença de tensão entre os jogos originais (5V) e o console (3V).

E pra fechar, segue a lista de jogos que vem na memória do FunPlay:

Alex Kidd: The Lost Stars
Alex Kidd in High Tech World
Alex Kidd in Miracle World
Altered Beast
Astro Warrior
Bomber Raid
Dr. Robotnik's Mean Bean Machine
Ecco II: Tides of Time
Fantasy Zone
Golden Axe
Penguin Land
Psycho Fox
Quartet
Ristar
Sonic Blast
Sonic Chaos
Sonic Drift 2
Sonic Spinball
Sonic Triple Trouble
Super Columns

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Por dentro do gravador de dispositivos Genius G540

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Já falei sobre este gravador lá no Badulaques da China, mas havia me esquecido de desmontar e comentar aqui sobre seu circuito. No momento ele é meu gravador titular, depois da aposentadoria do Pocket Programmer (tenho que desmontar ele também, pra mostrar pra vocês).

O Genius G540 é fabricado pela Shenzhen Stager Electric Co. Ltd (STG) e como o site da empresa é todo em chinês fica difícil encontrar as atualizações do software de gravação (clique aqui e na página clique em "G540 English V5.20"). Pra quem não conhece, olha a cara do gravador:

Gravador Genius G540

A caixa é muito fácil de abrir, apenas quatro parafusos prendem as duas partes de plástico, sem aquelas aletinhas plásticas que quebram só de olhar. Aberta a caixa vemos a parte de cima da placa principal:

Gravador Genius G540

Desta vez coloquei imagens maiores para mostrar melhor os detalhes, então clique para ampliar (ou clique com o botão direito e depois em "abrir em nova aba" que fica bem melhor). Na foto acima vemos que alguns CI's possuem o seu código impresso no layer de legendas de componentes. Como o gravador é alimentado diretamente pelo conector USB (5V) a tensão de VPP é gerada pelo CI MC34063 (no meio do canto esquerdo da placa, logo acima do conector USB). Um regulador AMS1117 (no canto inferior esquerdo) gera os 3.3V. Todos os pinos do soquete (da 3M) passam por um par de CI's 4094 e ULN2003A, além de um circuitinho com transistor. Ao todo a placa usa 55 transistores.

O uso dos CI's 4094(Shift Register/Latch) indica que as linhas de endereços e de dados são ligadas ao microcontrolador por meio de uma interface serial, o que pode deixar a gavação lenta para componentes de grande capacidade. O microcontrolador é um C8051F340 (8051 com USB da Silicon Labs). Na parte de baixo a placa tem mais transistores, mais dois pares de 4094 e ULN2003A e a surpresa de uma CPLD EPM3032A da Altera:

Gravador Genius G540

Atualizado em 09/10/2016: Agora em vídeo!

domingo, 4 de novembro de 2012

Consertando um rádio buzina de bicicleta

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Consegui este rádio neste feriado (para fotos de onde ele foi encontrado clique aqui) e não fui muito feliz em encontrar mais informações sobre ele na rede. Por isso resolvi tirar umas fotos externas e internas durante o conserto e postar aqui.

Rádio buzina de bicicleta


Trata-se de um rádio, buzina e lanterna de bicicleta da marca ME (a logomarca é de um globo com ME no centro). O rádio só tem uma faixa (AM em ondas médias - 530kHz a 1,6MHz) e é independente da buzina e da lanterna. O potenciometro de volume também possui a chave liga desliga do rádio, como todo velho e bom rádinho de pilha. E por falar em pilha, o aparelho é alimentado por  4 pilhas pequenas AA (6V) cujo compartimento fica embaixo do suporte para fixar no guidão da bicicleta. Na tampa das pilhas existe a marcação "Patent No 1010708" e o "Made in Hong Kong":

Rádio buzina de bicicleta

Liguei o aparelho na fonte de bancada e descobri que o rádio estava funcionando perfeitamente para rádios locais. Já a buzina e a lanterna estavam com defeito.

Abri o radinho pra dar uma olhada:

Placa do rádio
Como dá pra ver, o rádio é separado do circuito da buzina e a lanterna não ia funcionar mesmo, pois faltava a lâmpada. O conector ali no canto é pra ligar uma fonte externa e não é original. Alguém furou a caixa com a ponta de um ferro de solda e inseriu o conector ali. O circuito da buzina é formado por dois multivibradores astáveis sendo um na frequência de áudio e o outro em baixa frequência modulando o primeiro. O botão vermelho (Horn) dispara apenas o oscilador de frequência mais alta e funciona mesmo com a chave de três posições na posição desligada (off).
Placa do rádio AM

A chave de alavanca possui três posições: "Off", "Light" (acende a lanterna) e "Blinking/Siren alarm". Esta chave estava bem dura para mudar de posição e meio bamba na placa. Como eu já desconfiava o defeito era este aqui:

Com o tempo e uso a chave arrebentou as trilhas da placa. Retirei a chave do circuito, desmontei ela inteira, limpei os contatos, remontei, refiz as trilhas da placa com fio rigido e pronto, tudo funcionando novamente. A chave continua um pouco dura, mas não tanto como antes. Pode acontecer de, no futuro, as trilhas quebrarem novamente. O ideal seria trocar a chave por uma nova, mas vai ser difícil encontrar outra do mesmo modelo. Antes de fechar de novo o aparelho coloquei uma lâmpada nova, de 6.5V no soquete da lanterna.

E para os curiosos segue um vídeo do radinho funcionando:

domingo, 14 de outubro de 2012

Freedom Board da Freescale: Primeiro Contato

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Pois é pessoal chegou a minha Freedom Board FRDM-KL25Z (na verdade chegaram três, mas isso é outra história) que foi lançada no final de Setembro passado e resolvi escrever um pouquinho sobre ela, haja vista a falta de informações na rede. Aparentemente é uma tentativa da Freescale de competir com o Arduino, algo que a Microchip também tentou com a sua ChipKIT e a Texas com a LaunchPad.

A placa é esta aqui:

Freedom Board Freescale

A placa custa US$12.95, o que é mais barato que o mais barato Arduino Uno Chinês que se pode encontrar por aí. Ela pode ser comprada, lá fora, na Farnell/Element14, Mouser ou Digikey, como sempre. No Brasil ela será vendida pela Farnell por R$49,50.

Não vou repetir as características da placa aqui, caso queira saber mais detalhes leia a página oficial. E veja este vídeo, que tenta ser engraçado, sobre como foi criada a placa:


A placa vem naquela caixinha ecologicamente correta, com a placa e um cartão de referência (Quick Reference Card) com a pinagem dos conectores. E é só isso mesmo. Não vem o cabo USB, que pra complicar não é o conector padrão B como no Arduino. Usaram dois conectores USB mini B (clica aqui pra ver).

Outra coisa que não vem com a placa são as barras de terminais que formam os conectores de I/O. Tentei montar (pegaram emprestado meu rolo de solda e fiquei sem solda no feriado) estes conectores com uma barra de 40 pinos que tinha aqui e mais a contribuição de uma Launch Pad da Texas. O problema aqui é que estes conectores tem que ser cortados para se conseguir a quantidade correta de terminais (trabalhinho chato). E aproveitando a oportunidade, deixa eu colocar uma foto das duas placas lado-a-lado pra comparar o tamanho:

Freedom Board Freescale Vs Launch Pad Texas

O ideal seria uma foto com um Arduino Uno R3, já que a Freedom Board (FB daqui pra frente) possui pinagem compatível, mas eu não tenho um aqui. Esta tal compatibilidade é descrita no documento FRDM-KL25Z Pinouts (Rev 1.0, que não tem link direto, para ver baixe o zip FRDMKL25ZUM nesta página aqui). A primeira vista qualquer shield do Arduino pode ser conectado a esta placa. Os shields se encaixam perfeitamente nos conectores da FB, mas tem que tomar cuidado pois o Arduino funciona com 5V e a FB com 3.3V. Dependendo do shield a FB pode se dar mal com a diferença de tensões. Num dos blogs oficiais da Freescale é dito que ainda não se sabe quais shields funcionariam com a FB.

Até agora apenas liguei a placa no PC e fiz um programinha para trocar a cor do LED RGB. A placa já vem gravada com um firmware que faz isso, inclusive com dimmer no LED via touchpad, mas eu quis brincar um pouco com o CodeWarrior 10.3 (Beta e único que funciona com a FB). 

Aqui tive uns probleminhas até descobrir como fazer funcionar a interface de debugger Open SDA. O CodeWarrior não encontrava ela de jeito nenhum e só depois de um tempinho vi que ele não encontrava a interface porque ela simplesmente não estava na placa! Acontece (e esta é a grande dica deste post) que a placa vem gravada com um firmware que não é o firmware de debugger. E pra piorar este firmware não está disponivel para download na página da Freescale e sim no site da P&E Micro. Então se você quiser usar a função de debugger da placa entre na página do Open SDA no site da P&E (clica aí no link) e baixe o Firmware Apps  (tem que cadastrar).

Para gravar o Firmware de debugger é só seguir a receita:
1. Desligue a placa da USB.
2. Aperte o botão RST da placa e fique segurando.
3. Ligue a placa na porta USB do PC (com o botão RST pressionado).
4. Solte o botão depois de um tempo.
5. Vai aparecer um drive chamado "BOOTLOADER" no Windows.
6. Copie o arquivo "DEBUG-APP_Pemicro_v102.SDA" para este driver..
7. Desligue a placa da alimentação e ligue novamente.

Só assim a interface de debugger do Open SDA ficará disponível.

Bom, por enquanto é isso. Vou brincar mais com as placas nos próximos dias e se tiver tempo e paciência escrevo mais sobre elas.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Por dentro de um carregador manual de celular

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 E lá vou eu desmontar mais um brinquedinho chinês. Desta vez é um carregador manual (com dínamo) para celular. Já escrevi sobre ele lá no "Badulaques da China", então para mais informações é só ler o post. Comprei três destes carregadores para poder brincar sem me preocupar caso eu quebre alguma coisa. A foto dos três:


Carregador manual de celular
Atualização 06/03/2017: Agora em vídeo:


O aparelho é feito com um plástico que não inspira muita confiança e que pode quebrar facilmente com qualquer queda. Dois parafusos fecham a caixa e o carregador é assim por dentro:

Por dentro do carregador de celular

As engrenagens são feitas de plástico e vem besuntadas com uma graxa avermelhada. Minha experiência com engrenagens de plástico me diz que estas daí não devem durar muito caso o carregador seja usado por muito tempo. Tirei a plaquinha do aparelho pra ver melhor:

Carregador manual de celular - Placa

Tirei um tempinho pra desenhar o esquema da placa:


Esquema do carregador manual de celular

Pelo esquema vemos que o circuito é um clássico regulador de tensão com um transistor e um zener. O transistor é um M28S (olha o datasheet aqui) e o zener é de 6.8V ao contrário do que diz o silk da placa (lá está escrito 2.6V). Tive que dessoldar o zener e montar um circuitinho com um resistor limitador pra ver qual era a tensão nominal do zener. Com a queda de tensão do Vbe do transistor a saída do carregador fica em 6V.

Liguei a saída ao osciloscópio e dei umas maniveladas pra ver a variação da tensão de saída:

Forma de onda da saída do carregador


A queda final ocorreu quando eu larguei a manivela pra apertão o botão de STOP do osciloscópio. Mas dá pra ver que o regulador não deixa passar de 6V a tensão de saída.

Em outro teste eu retirei o dínamo do carregador e liguei na fonte de bancada. Como esperado ele funcionou como um motor DC comum e se comportou bem até com uma tensão de 9V, consumindo menos de 100mA da fonte.

Em um dos carregadores eu fiz um teste e acabei transformando ele em uma lanterna a manivela. Para isso troquei o LED vermelho do carregador por um LED Branco e abaixei o valor de R2 para 100R. Acredito que seja possível colocar mais LED´s e fazer uma lanterna melhor, mas preciso fazer mais testes.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Barbeiragem Técnica

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Recebi estas imagens hoje, por e-mail. O caso aconteceu numa assistência técnica em São Paulo e foi registrado por Marcius Vitale, que muito gentilmente permitiu que eu as publicasse aqui e comentou:

"Vejam o que um esquecimento pode provocar.

O técnico que realizou a manutenção anterior, simplesmente esqueceu dentro da TV a lata de Pasta para Solda, o que provocou danos ao equipamento e poderia ter causado um dano bem maior.

É algo semelhante ao que acontece quando um médico esquece tesoura e bisturis dentro de pacientes."

Lata de pasta de solda

Lata de pasta de solda dentro da TV

Placa da TV danificada

Placa da TV danificada

Placa da TV danificada

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Amplificador com TDA2002

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Montei este amplificador já faz uns dois meses para usar na bancada e nem pensava em colocar aqui, mas já que não estou fazendo nada mesmo...

Amplificador com TDA2002

Quase sempre me vejo fuçando em algum projeto que envolve áudio e toda vez tenho que pegar as caixas de som do desktop para testes. Ano passado meu irmão mais velho me deu uma caixa de som destas usadas em som ambiente e a guardei para montar um amplificador exclusivo para a bancada. Como sempre o tempo foi passando e só em Abril deste ano eu larguei a preguiça e montei um amplificador pra ele. Eu já havia comentado sobre fazer um amplificador lá naquele post sobre o chaveador de portas paralelas. Isso foi em Abril de 2010 e dois anos depois ele finalmente ficou pronto.

Não tem muito o que falar, circuitos com o TDA2002 tem aos montes pela rede. Meu esquema é o mesmo do datasheet do CI com pequenas modificações:

Esquema Amplificador com TDA2002

Como eu só tinha uma caixa de som montei uma versão mono mas com duas entradas "mixadas" pelos resistores R8 e R9. Usei um potenciômetro linear para o controle de volume que em conjunto com R7 (de aproximadamente 1/4 do valor do potenciômetro) se "transforma" num pot logarítimico. Truque aprendido numa velha "Revista Monitor de Rádio e TV" da década de 70. R3 seria de 2.2 Ohms caso eu não resolvesse montar o circuito num sábado à tarde. Com as lojas de componentes fechadas acabei usando dois resistores de 1 Ohm em série que era o que tinha por aqui.

Como sempre usei um pedaço de placa padrão para a montagem:

Placa amplificador

Tirando os capacitores e resistores todos os componentes foram reaproveitados de outros equipamentos. Os conectores eu tirei de dois videocassetes de segurança que desmontei e estavam guardados numa caixa de sapatos que há anos espera que seja arrumada e seu conteúdo separado e catalogado. Destes videocassetes saiu também o dissipador para o CI TDA2002. O knob do potenciômetro (e o adesivo plástico que coloquei "temporáriamente" no painel) veio de um controlador de temperatura:

Amplificador com TDA2002

A caixa de metal é a do chaveador de portas paralelas mesmo. Para tirar a tinta da marcação antiga do chaveador foi só usar passar um algodão com acetona. Até o CI TDA2002 foi reaproveitado. Ele veio do meu primeiro amplificador, que montei há quase 20 anos! Estava guardado desde aqueles tempos nas caixas de componentes (quem guarda tem).

Para alimentar o amplificador usei uma fonte chaveada de um scanner velho de 12V x 1A ou 2A (não lembro). A fonte seria colocada inteira dentro da caixa, mas como não caberia tive que tirar ela da caixa plástica. Para prender ao fundo da caixa do amplificador usei duas presilhas plásticas:

Montagem do amplificador

Tá, não ficou lá muito bonito, mas tá funcionando e a qualidade de som ficou muito melhor que a das caixas do meu PC (que preciso dar uma modificada pra ver se melhora). Ainda não medi a potência de saída, pois não tenho um gerador de áudio e nem uma carga de testes. Vou ver se monto os dois e faço umas medidas.

E pra finalizar um comentário sobre a fonte. Retirei o resistor R54B que fica embaixo da fonte:

Placa da fonte do amplificador

Olhando a placa pela primeira vez notei que a parte de alta tensão da fonte era ligada a saída por meio de uma rede de 4 resistores de 4,7M. Fiquei preocupado com isso e ao montar o amplificador retirei o resistor por não confiar muito neste arranjo.

sábado, 7 de julho de 2012

Montando uma referência de tensão, resistência e (quase) corrente.

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Faz tempo que não posto uma montagem minha por aqui, então vamos lá...

Os motivos para ter montado o circuito são estes:

Multimetros
Sei que tem alguém que vai falar que juntando tudo não dá um Fluke, mas paciência...
Então, como vocês podem ver acima eu tenho alguns instrumentos de medição por aqui e gostaria de conferir como anda a precisão deles. O Minipa ET-2060 é meu primeiro múltimetro, comprado há quase vinte anos e é o que mais uso por aqui. O segundo mais usado é o BK Precision 2703C e aquele grandão analógico (Icel SK-550A) fica de plantão praqueles casos onde só um analógico consegue fazer o serviço. Os demais foram salvos de uma reciclagem e não confio muito.

Tem mais um "motivo" (o principal) que chegou esta semana (parte dele está na foto título do blog e ele deve ganhar um post só dele em breve) que também precisará de uma referência de tensão, resistência e corrente. O caso da corrente será discutido ao final do post, existe um problema que eu só fui ver quando terminei a montagem.

A primeira idéia para o circuito era assim:
circuito 1

Um regulador (U1) com uma certa precisão fornece a referência de tensão, R1 seria um resistor com precisão menor ou igual a 1% (Quanto menor melhor, mas mais caro também) e R2 seria para a referência de corrente. No pino 4 de J1 cirularia uma corrente de 5mA quando este fosse ligado ao terra (pino 5). Teríamos então os valores de referência de 5V, 1k Ohms e 5mA com precisão dependendo apenas da tolerância dos três componentes. E o circuito seria alimentado por uma bateria de 9V para, talvez, ficar portátil e livre dos problemas que uma fonte de alimentação ligada a rede elétrica pudesse causar.

Decidido a montar o circuito parti para a busca dos componentes e consegui comprar 10 resistores de 1k de 0.1% de tolerância aqui no Brasil mesmo (Farnell, com direito a datasheet) e o "regulador", que neste caso foi um ADR02A da Analog Devices que é um CI de referência de tensão normalmente usado com conversores AD. Ele fornece uma tensão de 5V com no máximo 10mA e possui tolerância também de 0.1%.

Com os componentes em mãos fiz alguns testes iniciais e cheguei a conclusão que o circuito acima não seria o ideal. Se pegarmos um multímetro comum veremos que ele mostra de 0 a 1999 e se eu colocasse os valores que antes pensei em usar não estaria aproveitando toda a escala, já que o digito mais significativo ("1") não seria mostrado. Pra ficar mais fácil de entender, com 5V o multimetro teria que ser colocado na escala de 20V e mostraria 5.00V no display. Com uma tensão abaixo de 2V (1.5V por exemplo) ele leria 1.500V garantindo uma leitura mais precisa. Redesenhei o circuito, que ficou assim:
circuito 2

O circuito já é a versão final, que foi montada. Ele ainda fornece as referências de 5V, 5mA e 1k Ohms e com as chaves SW2 e SW1 agora dá pra selecionar os valores de 5/3V e 5/3mA (o que dá 1.66666... na leitura). Com o aumento do número dos resistores a precisão de algumas saídas mudou e os valores finais ficaram:

Saída de tensão:
  • 5V com 0.1% de tolerância (padrão do CI U1);
  • 5/3V (1.666... V) com 0.23% de tolerância (por causa da tolerância dos resistores R3, R4 e R5 do circuito de divisão);
Saída de corrente:
  • 5mA com 0.2% de tolerância (Tolerância do CI + tolerância do resistor R2)
  • 5/3mA com 0.2% de tolerância  (Tolerância do CI + tolerância dos resistores R6, R7 e R8 (tolerância de resistores em série é a mesma independente da quantidade, para resistores com tolerâncias iguais))
  • Existe um problema com a saída de corrente que será detalhada ao final do post.
Saídas RX:
  • 1k Ohms com 0.1% (Tolerância do resistor R9).

A montagem não foi tão dificil e foi feita em placa padrão mesmo. Só o CI ADR02A que precisou de uma placa adaptadora SMD:

Montagem final do circuito
A frente está torta por causa de um erro de cálculo... hehe
Eu pensei em usar uma caixa de metal, mas só tinha esta de plástico disponível. O painelzinho ficou assim:

Painel do aparelho

Imprimi o painel em uma folha de revista e passei o ferro de passar roupa para ver se dava certo. Quase deu certo, mas foi uma idéia idiota e não vou fazer mais isso...

Agora aos resultados, medidos com o Minipa:

Tensão:
Teste de tensão no Minipa

Corrente:
Teste de corrente no Minipa

 Resistência:
Teste de corrente no Minipa

Agora o B&K:
Tensão:
Teste de tensão - Multimetro BK

 Corrente:
Teste de corrente - Multimetro BK

 Resistência:
Teste de resistência - Multimetro BK

Pelas fotos dá pra ver que o BK mediu o resistor com erro de aproximadamente 3% o que está bem acima dos 1% para esta escala (dados do manual do multimetro). O Minipa mediu corretamente, o que me deixou em dúvidas sobre o resistor, afinal o Minipa tem mais de 20 anos e o BK não tem nem um ano de uso. Testei com mais resistores de precisão e realmente o BK está fora das especificações. Viram? O circuitinho já serviu pra alguma coisa, descobri que meu BK tem um probleminha.

As medidas de tensão ficaram dentro das especificações dos manuais (sim, eu ainda tenho o manual do Minipa, não costumo jogar fora os manuais de nenhum equipamento).

O Caso da corrente:
Em ambos os testes a corrente ficou fora do especificado. A questão é que deixei passar algo importante no circuito: Multimetros medem corrente de forma indireta, através da tensão sobre um resistor de valor conhecido. Nos casos acima, na escala de 2mA o múltimetro coloca uma resistência de 100 Ohms em série com o circuito e mede a tensão sobre ele. Assim no meu circuito o valor da corrente tem que ser reavalido por causa do efeito deste resistor. Em fábrica a leitura é calibrada com uma fonte de corrente constante. Isso me fez pensar que toda vez que você mede a corrente em um circuito a medida contém um erro já que não é a corrente "real " que flui normalmente no local medido. A corrente ali é alterada por causa do resistor interno do múltimetro.

É possível montar um circuito com uma precisão maior?
Esta foi outra pergunta que fiz enquanto montava o aparelho. E sim, é possível fazer um circuito com uma precisão bem maior. Só depende do quanto você pode gastar. No Ebay aparece de vez em quando resistores de 0.05% e até de 0.01%. Você pode encontrar resistores assim na Digikey e na Mouser também, mas os preços são bem salgados. Quanto aos CI´s de referência existem vários com precisão de até 0.01% como o AD588.
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